Ministério do Trabalho inclui 159 nomes na nova Lista Suja do trabalho escravo

Ministério do Trabalho inclui 159 nomes na nova Lista Suja do trabalho escravo
Ministério do Trabalho atualiza Lista Suja e registra 159 empregadores envolvidos em trabalho análogo à escravidão/Wellyngton Souza/Sesp-MT
Publicado em 07/10/2025 às 14:00

Da redação de LexLegal

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou o cadastro de empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão, conhecido como Lista Suja. A nova edição do levantamento conta com 159 nomes, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas, o que representa um aumento de 20% em relação à lista anterior.

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Segundo o MTE, entre 2020 e 20251.530 trabalhadores foram resgatados dessas condições em todo o país, resultado de ações fiscais e denúncias recebidas pelo Sistema Ipê, plataforma oficial de combate ao trabalho escravo.

Os estados com mais ocorrências

De acordo com o relatório, Minas Gerais lidera o ranking com 33 infrações registradas, seguido por São Paulo (19)Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12). As autuações envolvem tanto o meio rural quanto o urbano, abrangendo atividades como pecuária, agricultura, serviços domésticos e construção civil.

O MTE destacou que 16% dos casos incluídos estão ligados a atividades urbanas, como oficinas, empresas de limpeza, obras e residências particulares — uma mudança de perfil em relação às edições anteriores, tradicionalmente dominadas pelo trabalho rural.

“Do total, 16% das inclusões estão relacionadas a atividades econômicas do meio urbano”, informou o ministério.

Setores mais afetados

As atividades econômicas com mais empregadores incluídos na Lista Suja são:

  • Criação de bovinos para corte – 20 casos
  • Serviços domésticos – 15 casos
  • Cultivo de café – 9 casos
  • Construção civil – 8 casos

Esses setores continuam entre os que mais concentram denúncias de trabalho forçado ou degradante, segundo a Inspeção do Trabalho.

Como funciona a Lista Suja

Lista Suja do trabalho escravo é um instrumento público de transparência que divulga o resultado das fiscalizações realizadas por auditores do trabalho em todo o país. O cadastro é atualizado semestralmente e tem como objetivo inibir práticas ilegais e promover a responsabilidade social de empresas e empregadores.

Os nomes são incluídos apenas após decisão administrativa final, garantindo direito de defesa aos acusados. A inclusão na lista pode ter forte impacto econômico e reputacional, já que bancos públicos e privados costumam restringir crédito a empregadores listados, além de afetar contratos com o setor público e grandes empresas que mantêm políticas de compliance trabalhista.

Como denunciar

Casos suspeitos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma sigilosa pelo Sistema Ipê, uma plataforma digital criada para receber e encaminhar denúncias diretamente às Superintendências Regionais do Trabalho. O acesso é feito pela internet, e o denunciante não precisa se identificar.

O MTE reforça que o trabalho análogo à escravidão viola direitos fundamentais e configura crime previsto no artigo 149 do Código Penal, que pune quem reduz alguém a condição degradante, submete a jornadas exaustivas ou restringe a liberdade de locomoção.

Avanço no combate e desafios

A atualização da lista reflete o avanço das ações de fiscalização e o comprometimento das autoridades trabalhistascom o enfrentamento ao problema, mas também revela a persistência de práticas arcaicas em diferentes setores da economia brasileira.

De acordo com especialistas em Direito do Trabalho, a publicação semestral da Lista Suja é uma das políticas públicas mais efetivas de combate ao trabalho escravo contemporâneo, pois dá visibilidade às violações e pressiona economicamente os infratores.

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Entidades civis e organizações de direitos humanos, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), consideram o mecanismo um exemplo mundial de transparência ativa no combate à escravidão moderna.


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