Ministério da Saúde testa semaglutida no SUS para pacientes com obesidade

Ministério da Saúde testa semaglutida no SUS para pacientes com obesidade
Projeto-piloto no Rio Grande do Sul avaliará eficácia, custos e impacto clínico das canetas emagrecedoras/Freepik
Publicado em 27/06/2026 às 11:00

Da Redação de LexLegal

O Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto para testar o uso da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será realizada com pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, e pretende avaliar se o medicamento pode ser incorporado futuramente à rede pública para o tratamento da obesidade.

Ao todo, 250 pacientes participarão da pesquisa. Todos já são acompanhados pelo hospital e apresentam obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças, além de indicação para cirurgia bariátrica.

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A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, grupo conhecido popularmente como “canetas emagrecedoras”. Esses medicamentos atuam no controle do apetite e ajudam na perda de peso ao aumentar a sensação de saciedade e melhorar o controle dos níveis de açúcar no sangue.

Segundo o Ministério da Saúde, o estudo terá duração de dois anos e acompanhará indicadores como perda de peso, melhora da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, recuperação após cirurgias bariátricas e custos do tratamento. A intenção é verificar se a utilização da semaglutida é eficaz e viável dentro da realidade do SUS.

“Esse público reflete o perfil assistencial da unidade, na qual 91% dos pacientes com obesidade apresentam a forma mórbida da doença. Dentre esses, apenas 47% possuem condições clínicas para realização de cirurgia bariátrica. A comorbidade mais prevalente nesse grupo é a hipertensão arterial”, informou o Ministério da Saúde.

Para participar do projeto, os pacientes precisam estar em acompanhamento no Grupo Hospitalar Conceição, ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e comprovar que o tratamento convencional, com dieta e atividade física, não produziu os resultados esperados. Também será exigida capacidade para realizar a autoaplicação da medicação ou contar com auxílio de um cuidador.

O estudo será financiado por recursos repassados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), provenientes de aporte financeiro da fabricante do medicamento.

A iniciativa ocorre menos de um ano após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendar que a semaglutida e a liraglutida não fossem incorporadas ao sistema público. Na ocasião, o principal argumento foi o elevado impacto financeiro. Segundo o Ministério da Saúde, a inclusão desses medicamentos poderia representar um custo anual estimado em R$ 8 bilhões.

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Os resultados do projeto-piloto poderão servir de base para futuras decisões sobre a eventual incorporação da semaglutida ao SUS. O estudo deverá indicar se os benefícios clínicos e econômicos do tratamento justificam sua adoção em larga escala na rede pública de saúde.

SÃO PAULO WEATHER