Microsoft cancela contratos com Defesa de Israel após denúncia de vigilância em massa

Da redação de LexLegal
A Microsoft anunciou o cancelamento de contratos com o Ministério da Defesa de Israel, depois que o jornal britânico The Guardian revelou que a nuvem Azure, da big tech norte-americana, vinha sendo usada em operações de vigilância em massa contra palestinos.
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Em carta enviada a funcionários, o presidente da companhia, Brad Smith, afirmou que a empresa encontrou evidências que confirmam “elementos” da reportagem publicada em agosto.
“As medidas que estamos tomando são para garantir a conformidade com nossos termos de serviço, com foco em garantir que nossos serviços não sejam usados para vigilância em massa de civis”, destacou Smith.
Apesar da suspensão, a Microsoft frisou que a decisão não afeta os trabalhos de proteção cibernética prestados a Israel e outros países do Oriente Médio.
Denúncia do The Guardian
Segundo o jornal britânico, Israel estaria usando a nuvem Azure para armazenar em servidores europeus um imenso acervo de ligações telefônicas de palestinos em Gaza e na Cisjordânia.
O software teria capacidade de guardar 1 milhão de chamadas por hora, funcionando como uma ferramenta de vigilância “abrangente e intrusiva”. O material coletado teria sido utilizado em operações militares e ataques aéreosna região.
A Microsoft negou acesso a esses dados, alegando compromissos de privacidade com clientes.
Especialistas contestam posição da big tech
Para o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da UFABC e pesquisador em tecnologias digitais, a justificativa da empresa não elimina dúvidas sobre sua atuação.
“A empresa diz que não armazena dados obtidos por meio de vigilância de palestinos por Israel. Como ele sabe disso? Obviamente, a Microsoft atua junto com outras big techs no oferecimento de sistemas de IA para finalidades de segurança e de defesa. Isso foi denunciado antes mesmo de 2023”, afirmou.
Segundo Amadeu, a inteligência artificial tem sido usada como máquina de alvos, processando rastros digitais de redes sociais e dados geográficos para identificar supostos militantes ou simpatizantes do Hamas. “A partir disso, eles matam os alvos fora da área de combate”, completou.
ONU alerta para “genocídio lucrativo”
A polêmica ocorre em meio a críticas internacionais sobre o papel de big techs na guerra. Em julho, a relatora especial da ONU para os Direitos Humanos na Palestina, Francesca Albanese, afirmou que empresas como Microsoft, Alphabet (Google) e Amazon lucraram com a ocupação ilegal e com operações militares israelenses.
“Enquanto líderes políticos e governos se esquivam de suas obrigações, muitas entidades corporativas lucraram com a economia israelense de ocupação ilegal, apartheid e, agora, genocídio”, disse Albanese.
O episódio reforça o debate sobre o complexo militar-industrial-dataficado, conceito usado por especialistas para descrever como gigantes da tecnologia se integram a operações de guerra, oferecendo infraestrutura de nuvem e sistemas de IA aplicados à vigilância e ao combate.
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Para críticos, a suspensão anunciada pela Microsoft abre um precedente, mas ainda deixa em aberto a questão principal: quais mecanismos efetivos existem para evitar que serviços digitais sejam usados contra populações civis? Com informações da Agência Brasil.