Mercosul e EFTA firmam acordo de livre comércio no Rio em 16 de setembro

Mercosul e EFTA firmam acordo de livre comércio no Rio em 16 de setembro
Especialistas avaliam que o tratado com a EFTA pode abrir novas portas para exportações de setores estratégicos do Mercosul, como agronegócio, indústria alimentícia e mineração. Oslo, capital da Noruega/Visit Norway
Publicado em 13/09/2025 às 9:17

Da redação de LexLegal

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) ─ formada por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein ─ será assinado no próximo dia 16 de setembro, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11) pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).

A assinatura ocorrerá durante a reunião de chanceleres do Mercosul, que será presidida pelo ministro Mauro Vieira. O Brasil exerce atualmente a presidência temporária do bloco sul-americano, o que dá ao país papel central nas tratativas e na condução da agenda internacional.

Em nota, o Itamaraty destacou: “Para o Brasil, a consolidação da união aduaneira, a diversificação das parcerias econômico-comerciais do Mercosul e a modernização e aprofundamento dos acordos regionais vigentes constituem objetivos essenciais, em meio a cenário internacional instável e complexo. A presidência brasileira enfatizará, ainda, a importância do apoio ao processo de adesão plena da Bolívia ao bloco.”

As conversas para viabilizar o tratado começaram em junho de 2017, em Buenos Aires, e atravessaram diferentes conjunturas políticas e econômicas ao longo de sete anos, totalizando 14 rodadas de negociações até a conclusão em julho deste ano. A assinatura em setembro é vista como um marco, pois ocorre em um momento de debates mais amplos sobre a integração regional e a resposta dos países latino-americanos às crescentes tensões comerciais globais.

Peso da EFTA na economia mundial

Criada em 1960, a EFTA é uma organização intergovernamental que reúne aproximadamente 15 milhões de habitantes, mas que tem impacto desproporcional na economia mundial devido à alta renda de seus membros. O Produto Interno Bruto (PIB) conjunto soma cerca de US$ 1,4 trilhão. Em termos de renda per capita, Liechtenstein ocupa a segunda posição global, com média de US$ 186 mil anuais. A Suíça aparece em quarto lugar, com US$ 104,5 mil. Noruega e Islândia também figuram entre as nações mais ricas do planeta, reforçando o perfil estratégico do bloco como parceiro comercial.

Especialistas avaliam que o tratado com a EFTA pode abrir novas portas para exportações de setores estratégicos do Mercosul, como agronegócio, indústria alimentícia e mineração, ao mesmo tempo em que amplia o acesso a tecnologia, investimentos e inovação oriundos dos países europeus. Para o Brasil, a entrada em vigor do acordo representa a possibilidade de diversificar mercados e reduzir a dependência de parceiros tradicionais, em especial em um cenário em que as relações comerciais com grandes economias estão cada vez mais tensionadas.

O acordo também pode servir de modelo para outras negociações em andamento, como o aguardado tratado Mercosul-União Europeia, que enfrenta resistências políticas e ambientais. Ao concluir as tratativas com a EFTA, os países do Mercosul buscam reforçar sua credibilidade internacional e demonstrar capacidade de avançar em pautas de integração.

SÃO PAULO WEATHER