Mercosul e Canadá retomam negociações para novo acordo de livre comércio

Mercosul e Canadá retomam negociações para novo acordo de livre comércio
Negociadores do Mercosul e do Canadá se reúnem em Brasília para atualizar o acordo de livre comércio entre o bloco e o país norte-americano/Cadu Gomes/VPR
Publicado em 12/10/2025 às 17:00

Da redação de LexLegal

Mercosul e o Canadá reabriram oficialmente, em Brasília, as negociações para um acordo de livre comércio. A rodada, iniciada no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), busca atualizar os termos da cooperação econômica entre o bloco sul-americano e o país norte-americano. A iniciativa ocorre em um contexto de tensões comerciais globais e tarifas unilaterais impostas pelo governo de Donald Trump.

Reaproximação bilateral

A retomada das conversas ocorre após a visita ao Brasil, em agosto, do ministro canadense de Comércio Internacional, Maninder Sidhu, que se reuniu com o vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin. Na ocasião, ambos reafirmaram o interesse em aprofundar o diálogo econômico e reativar a agenda de livre comércioentre as duas economias.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o movimento reforça o compromisso do Mercosul em negociar acordos modernos, equilibrados e sustentáveis, seguindo o padrão dos pactos já firmados com SingapuraUnião Europeia (UE) e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) — grupo formado por Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein.

Segundo o Mdic, essas experiências têm servido de modelo para aprimorar o formato das novas negociações, garantindo que o Mercosul mantenha relevância no comércio internacional e amplie sua rede de parcerias estratégicas.

Pontos em discussão

O encontro em Brasília reúne chefes negociadores e equipes técnicas do Canadá e dos quatro países-membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). O objetivo é revisar avanços, pendências e prioridades nos diferentes capítulos do tratado.

Entre os principais temas em debate estão:

  • Acesso a mercados e regras de origem, que determinam o percentual de insumos locais exigidos para que um produto seja beneficiado com reduções tarifárias;
  • Facilitação de comércio, voltada à redução da burocracia alfandegária;
  • Barreiras técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias, que tratam das normas de qualidade e segurança de produtos agrícolas e industriais;
  • Serviços e investimentos, incluindo regras sobre proteção ao investidor e abertura de setores;
  • Compras governamentaispropriedade intelectual e meio ambiente;
  • Além de concorrência, micro e pequenas empresas, comércio e gênero e direitos de povos indígenas.

A expectativa é que os dois lados definam um cronograma de trabalho até o final do ano, estabelecendo uma nova base para os compromissos comerciais entre o bloco e o Canadá.

Comércio bilateral em crescimento

Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Canadá somou US$ 9,1 bilhões, segundo dados da Secex. O Canadá foi o nono destino das exportações brasileiras e ocupou a 19ª posição entre os principais fornecedores externos do país.

As exportações do Brasil ao Canadá totalizaram US$ 6,3 bilhões, com destaque para produtos da indústria de transformação, que responderam por 91% do total vendido. Os principais itens exportados foram alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.

Já as importações vindas do Canadá somaram US$ 2,8 bilhões, com destaque para adubos e fertilizantes químicos, motores e máquinas não elétricos e aeronaves.

Novo cenário global

A reaproximação entre o Mercosul e o Canadá ocorre em um momento de rearranjo das cadeias globais de comércio. A escalada tarifária entre Estados Unidos e China e a crescente pressão sobre acordos multilaterais têm levado países e blocos regionais a buscar novas rotas comerciais e parcerias estratégicas, especialmente em áreas ligadas à energia limpa, mineração e agricultura sustentável.

O avanço dessas tratativas poderá reforçar o papel do Brasil como elo entre América do Sul e América do Norte, fortalecendo o comércio de bens de alto valor agregado e a cooperação tecnológica entre as duas economias.


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