Mercado reduz projeção da inflação para 2025 e mantém juros em 15%, aponta Focus

Mercado reduz projeção da inflação para 2025 e mantém juros em 15%, aponta Focus
Economistas destacam que a recente queda das expectativas inflacionárias reflete o impacto das políticas monetária e fiscal mais alinhadas, mas alertam que o país deve manter disciplina nos gastos públicos e previsibilidade regulatória para sustentar o ciclo de queda de juros no médio prazo/Freepik
Publicado em 27/10/2025 às 10:30

Da redação de LexLegal

O mercado financeiro voltou a revisar para baixo suas expectativas de inflação para os próximos anos, de acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (27). O levantamento, que reúne estimativas de mais de 100 instituições financeiras, aponta melhora gradual no cenário de preços, mas com atividade econômica em ritmo moderado e juros elevados.

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Segundo o relatório, a inflação esperada para 2025 caiu de 4,70% para 4,56%, enquanto para 2026 a projeção recuou de 4,27% para 4,20%. Para 2027, a estimativa passou de 3,83% para 3,82%, e para 2028, de 3,60% para 3,54%.

O BC trabalha com meta contínua de inflação de 3%, considerada cumprida se o índice variar entre 1,5% e 4,5%. Quando a inflação fica fora desse intervalo por seis meses seguidos, a instituição é obrigada a justificar publicamente o descumprimento da meta ao Ministério da Fazenda.

BC ainda persegue estabilidade de preços

De acordo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que enviou carta oficial ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em junho, o estouro do teto da meta foi causado por atividade econômica aquecidacâmbio volátilaltos custos de energia elétrica e eventos climáticos extremos.

O sistema de metas, em vigor desde 1999, determina que o BC ajuste a taxa Selic para manter a inflação dentro do intervalo estabelecido. Os efeitos das decisões de juros, no entanto, demoram entre seis e 18 meses para serem sentidos integralmente na economia — motivo pelo qual o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia sempre as projeções futuras.

A dinâmica inflacionária tem sido pressionada, sobretudo, pelos preços administrados e pelos efeitos do câmbio, o que explica a cautela do mercado em antecipar cortes significativos na Selic.

PIB e juros seguem estáveis nas projeções

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) — indicador que mede o desempenho da economia —, o mercado reduziu ligeiramente sua previsão para 2025, de 2,17% para 2,16%. Para 2026, a expectativa também caiu, de 1,80% para 1,78%.

Já a projeção para a taxa básica de juros permaneceu estável. O mercado espera que a Selic encerre 2025 em 15% ao ano, mesmo patamar atual, com redução gradual para 12,25% em 2026 e 10,50% em 2027.

Essa manutenção reforça a leitura de que o Banco Central deve adotar uma postura conservadora na política monetária, priorizando o controle inflacionário em detrimento de estímulos de curto prazo à atividade econômica.

“Se perguntassem para mim se acredito que haveria espaço para corte de juros eu diria que sim, acho preciosismo do mercado pendurar em 2027 a perspectiva fiscal impedindo cortes maiores agora. Acho que há espaço para corte de juros nem só por isso, basta ver outros indicadores como o IGP-M neste mesmo relatório FOCUS. Há quatro semanas atrás o mercado projetava alta de 1,02% no Índice Geral, semana passada era 0,87% e agora caiu para 0,49%”, avalia o economista André Perfeito.

Câmbio, balança e investimentos estrangeiros

dólar deve encerrar 2025 cotado a R$ 5,41, segundo o Focus, ante R$ 5,45 na estimativa anterior. Para 2026, a projeção ficou estável em R$ 5,50.

superávit comercial previsto para 2025 subiu de US$ 61,15 bilhões para US$ 61,99 bilhões, e para 2026, de US$ 65,22 bilhões para US$ 65,80 bilhões, refletindo o bom desempenho das exportações brasileiras de commodities.

Já o investimento estrangeiro direto — aporte de capital produtivo no país — deve se manter robusto, com US$ 70 bilhões previstos tanto para 2025 quanto para 2026, sinalizando confiança de longo prazo dos investidores internacionais no ambiente econômico brasileiro.

Mesmo com a melhora nas projeções, especialistas avaliam que a desinflação será mais lenta do que o governo e o mercado esperavam no início do ano. O impacto de choques climáticos e a volatilidade dos preços de alimentos e energia ainda representam riscos para o cumprimento da meta.

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Economistas destacam que a recente queda das expectativas inflacionárias reflete o impacto das políticas monetária e fiscal mais alinhadas, mas alertam que o país deve manter disciplina nos gastos públicos e previsibilidade regulatória para sustentar o ciclo de queda de juros no médio prazo.

SÃO PAULO WEATHER