Mercado reduz previsão da inflação, mas índice segue acima da meta do BC

Da Redação de LexLegal
O mercado financeiro reduziu ligeiramente a previsão para a inflação de 2026, mas a expectativa continua acima do limite perseguido pelo Banco Central (BC). Segundo o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (6), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, caiu de 5,33% para 5,30%.
Mesmo com a revisão, a projeção permanece acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%. Desde este ano, o Banco Central adota uma meta contínua de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Se a inflação permanecer fora desse intervalo durante seis meses seguidos, considera-se que a meta não foi cumprida.
Leia também: TozziniFreire assessora emissão de R$ 180 milhões da Fagundes Construção e Mineração
As estimativas mais recentes do mercado apontam uma desaceleração moderada da inflação. Entre os analistas que atualizaram suas projeções nos últimos cinco dias úteis, a expectativa para o IPCA de 2026 caiu para 5,23%.
Para 2027, a previsão praticamente ficou estável, passando de 4,17% para 4,18%. Já para 2028 e 2029, as estimativas foram mantidas em 3,70% e 3,50%, respectivamente.
Apesar da melhora nas projeções, o mercado continua mais pessimista que o próprio Banco Central. No Relatório de Política Monetária divulgado no fim de junho, a autoridade monetária estimou inflação de 5,2% em 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028.
Mercado mantém expectativa de juros elevados
O relatório também mostra que os economistas continuam prevendo uma taxa básica de juros elevada no próximo ano. A mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 14% ao ano.
A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Quando a inflação permanece elevada, o Banco Central tende a manter juros mais altos para reduzir o consumo e conter a alta dos preços.
Para 2027, a expectativa segue em 12% ao ano. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 10,5% e 10%, respectivamente.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em junho, o Banco Central sinalizou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação e do cenário econômico.
PIB e dólar apresentam estabilidade nas projeções
As estimativas para o crescimento da economia brasileira sofreram poucas alterações. O mercado manteve a projeção de alta de 1,99% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, resultado próximo ao crescimento de 2% previsto pelo Banco Central.
Para os anos seguintes, as previsões ficaram praticamente estáveis, em 1,69% para 2027 e 2% para 2028 e 2029.
No câmbio, a expectativa também mudou pouco. A projeção para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, 2028 e 2029, as estimativas seguem em R$ 5,28, R$ 5,35 e R$ 5,40, respectivamente.
Veja também: Pinheiro Guimarães, Gibson Dunn e Grandall Zimmern atuam em empréstimos da SPIC Brasil
Os dados do Relatório Focus mostram que o mercado continua apostando em uma desaceleração gradual da inflação, mas ainda sem retorno ao centro da meta estabelecida pelo Banco Central. O cenário reforça a expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado durante boa parte do próximo ano, enquanto investidores acompanham a evolução dos preços, da atividade econômica e das decisões do Copom.