Mercado financeiro reduz projeção da inflação para 3,95% e prevê queda da Selic em março

Mercado financeiro reduz projeção da inflação para 3,95% e prevê queda da Selic em março
O desafio para o restante do ano será realizar a transição para juros menores sem permitir que a inflação volte a acelerar, especialmente diante das oscilações nos preços de commodities e da política fiscal do governo/LexLegal
Publicado em 19/02/2026 às 7:30

Da redação de LexLegal

O mercado financeiro revisou para baixo, pela sexta semana consecutiva, a expectativa para a inflação oficial de 2026. Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira (18), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 3,97% para 3,95%. O número mantém o indicador dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como meta central o índice de 3%.

Leia também: Congresso cria lei para punir quem interdita idoso para roubar bens

A trajetória descendente nas estimativas ocorre após um 2025 encerrado com inflação acumulada de 4,44%, pressionada principalmente pelos custos de energia elétrica e combustíveis. Para os próximos anos, os analistas das instituições financeiras mantêm o otimismo cauteloso, projetando um IPCA de 3,8% em 2027 e uma convergência para 3,5% em 2028 e 2029.

Copom sinaliza fim do maior ciclo de juros desde 2006

Para conter a alta de preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a taxa Selic em 15% ao ano, o patamar mais elevado em duas décadas. No entanto, o comunicado da última reunião trouxe um alento ao mercado produtivo ao confirmar que a autoridade monetária iniciará o ciclo de cortes nos juros no encontro de março, desde que o cenário econômico não apresente novas pressões inflacionárias.

A expectativa do mercado é que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano. O movimento de queda deve ser gradual, com projeções de 10,5% para 2027 e atingindo um dígito apenas em 2029, quando os analistas estimam uma taxa de 9,5%. O ajuste fino dos juros é o principal instrumento do Banco Central para equilibrar o consumo: taxas altas encarecem o crédito e estimulam a poupança, enquanto reduções visam aquecer a produção e a atividade econômica.

PIB e cotação do dólar seguem estáveis nas projeções

No campo da atividade econômica, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 permaneceu estagnada em 1,8%. O resultado reflete um cenário de estabilidade após o crescimento de 3,4% registrado em 2024. O IBGE deve divulgar o PIB consolidado de 2025 no próximo dia 3 de março, dado essencial para balizar as futuras decisões do Copom sobre a velocidade do corte de juros.

Quanto ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar encerre tanto 2026 quanto 2027 cotado a R$ 5,50. A estabilidade na moeda norte-americana é vista como um fator positivo para o controle de preços de insumos importados, colaborando para que a inflação permaneça sob controle. Contudo, os bancos alertam que fatores externos e o risco de inadimplência continuam influenciando as taxas de juros finais cobradas dos consumidores.

Veja também: Quarta-Feira de Cinzas é feriado? Confira as regras para o trabalho em todo país

A redução sistemática nas previsões do IPCA sugere que a política monetária restritiva do Banco Central está surtindo o efeito desejado na contenção da demanda. O desafio para o restante do ano será realizar a transição para juros menores sem permitir que a inflação volte a acelerar, especialmente diante das oscilações nos preços de commodities e da política fiscal do governo.

SÃO PAULO WEATHER