Mercado financeiro reage com queda à operação do STF contra Bolsonaro e ao risco de novas retaliações dos EUA

Da redação de LexLegal
A sexta-feira (18) foi marcada por tensão nos mercados financeiros brasileiros, em meio à operação de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, e ao temor de escalada nas retaliações do governo dos Estados Unidos. O Ibovespa fechou no menor nível em quase três meses e o dólar voltou a flertar com os R$ 5,60, refletindo o aumento do risco político e geopolítico.
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O principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão com queda de 1,61%, aos 133.382 pontos — o patamar mais baixo desde 23 de abril. No acumulado da semana, o recuo foi de 2,06%, e no mês de julho, o índice já cedeu 3,94%. Apesar da turbulência recente, o Ibovespa ainda sustenta uma valorização de 10,89% em 2025.
No câmbio, o dólar comercial foi negociado a R$ 5,587 ao fim do dia, com alta de 0,73%. A divisa americana chegou a cair para R$ 5,52 pela manhã, mas reverteu o movimento e atingiu R$ 5,59 durante a tarde, em meio ao agravamento das incertezas externas. A moeda norte-americana acumula alta de 2,82% em julho, embora ainda registre queda de 9,59% no ano.
Reação dos EUA agrava instabilidade
O temor dos investidores se intensificou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que poderá ampliar as sanções contra o Brasil. Na semana passada, ele anunciou tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA, alegando supostas práticas comerciais desleais e perseguição política ao ex-presidente Bolsonaro. Nesta sexta-feira, Trump voltou a defender Bolsonaro publicamente e endureceu o discurso contra o grupo Brics, ameaçando sobretaxar os produtos dos países-membros em 10%.
Clima político influencia ativos
A operação da Polícia Federal contra Bolsonaro elevou o risco institucional no radar dos mercados. Além da busca e apreensão, o ministro Moraes determinou medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar noturno do ex-presidente, o que gerou reações políticas e diplomáticas, incluindo sanções do governo Trump contra membros do STF, como o ministro Alexandre de Moraes.
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A deterioração da percepção de estabilidade institucional e a possibilidade de um embate diplomático com os Estados Unidos — ainda maior parceiro comercial em diversos segmentos — contribuíram para a aversão ao risco entre os investidores.