Mercado financeiro bate recorde com captação de R$ 43,1 bilhões em janeiro

Luciano Teixeira – São Paulo
O mercado financeiro brasileiro iniciou 2025 registrando um volume de captação recorde para o mês de janeiro. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as ofertas encerradas no primeiro mês do ano somaram R$ 43,1 bilhões, um crescimento de 108,4% em relação à média dos meses de janeiro entre 2020 e 2024, que foi de R$ 20,7 bilhões. Tradicionalmente, janeiro apresenta um recuo nas emissões devido ao período de recesso.
A performance foi impulsionada, principalmente, pelas debêntures, que representaram 66,1% do total captado, atingindo R$ 28,5 bilhões. Outros instrumentos de captação também se destacaram, como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que somaram R$ 3,5 bilhões (8,1% do total), e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), que movimentaram R$ 3,2 bilhões (7,3% do total).
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Debêntures lideram captação e infraestrutura segue como destino principal dos recursos
As debêntures continuam sendo o instrumento mais relevante para o financiamento de empresas no Brasil. Os principais subscritores desses papéis foram intermediários financeiros e demais participantes ligados às ofertas, que responderam por 64,8% do volume total. Fundos de investimento também desempenharam papel importante, adquirindo 26,7% das emissões.
O destino dos recursos captados via debêntures reflete o perfil do mercado brasileiro: 45% foram direcionados para investimentos em infraestrutura, setor que depende fortemente de financiamento privado para viabilizar projetos de longo prazo. Além disso, 16,4% dos valores captados foram utilizados para pagamento de dívidas, um movimento esperado diante do cenário de juros elevados nos últimos anos, que incentivou as empresas a refinanciarem passivos em busca de melhores condições financeiras.
Instrumentos de securitização ganham espaço e atraem investidores individuais
Os instrumentos de securitização, como CRI, CRA, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e FIDC, também tiveram um desempenho expressivo em janeiro, totalizando R$ 9,3 bilhões – o que corresponde a 21,5% do volume total captado no mercado de capitais.
No caso dos CRIs, os principais compradores foram fundos de investimento, que responderam por 39% das aquisições, seguidos por investidores pessoa física, que representaram 34,7% das subscrições. Esse movimento indica um interesse crescente de investidores individuais por produtos estruturados no mercado de capitais, principalmente devido às isenções fiscais concedidas a esse tipo de ativo.
Já nos FIDCs, os fundos de investimento lideraram as compras, com 65,6% do total emitido, reforçando o papel dessas estruturas na diversificação de portfólios e na alocação de recursos em ativos financeiros lastreados em recebíveis.
Fiagro mantém crescimento e fundos imobiliários voltam a atrair investidores
Os fundos híbridos, que englobam os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) e os Fundos de Investimento Imobiliário (FII), registraram captação de R$ 3,9 bilhões em janeiro. Um dos destaques foi o Fiagro, que ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão em emissões pelo segundo mês consecutivo, consolidando-se como uma alternativa atraente para investidores interessados no setor do agronegócio.
Os intermediários financeiros e demais participantes ligados às ofertas foram responsáveis por 65,6% das subscrições dos Fiagros, o que demonstra um interesse institucional crescente nesse tipo de fundo. O bom desemprenho desse segmento está relacionado à necessidade de novas formas de financiamento para o agronegócio brasileiro, setor que segue como um dos pilares da economia nacional.
Captação externa movimenta USD 3 bilhões e reforça confiança no Brasil
Embora janeiro não tenha registrado novas ofertas de renda variável – como IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) –, o mercado de capitais brasileiro marcou presença no cenário internacional com três emissões externas, totalizando USD 3 bilhões.
Desses valores, USD 2,3 bilhões foram captados por empresas, enquanto USD 750 milhões foram emitidos por instituições financeiras. Esse movimento reflete a retomada gradual do apetite dos investidores estrangeiros por ativos brasileiros, especialmente diante da expectativa de redução da taxa de juros nos Estados Unidos e da melhora da percepção de risco sobre o país.
O forte desempenho do mercado de capitais em janeiro pode indicar um ano promissor para o setor, impulsionado por fatores como a esperada redução da taxa Selic, o aumento da demanda por financiamentos privados e a retomada da confiança dos investidores.
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Especialistas apontam que a tendência de alta na emissão de debêntures deve continuar ao longo do ano, especialmente no segmento de infraestrutura, dado o avanço de projetos de concessão e privatização. Além disso, a popularização dos instrumentos de securitização pode atrair um número crescente de investidores individuais, ampliando o acesso ao mercado de capitais.
O desempenho positivo do mercado de capitais também pode servir como um termômetro para a economia brasileira em 2025. Um aumento na captação de recursos por empresas indica maior confiança no crescimento econômico e no ambiente de negócios, fatores essenciais para a recuperação sustentável do país.