Mercado fecha semana em queda após ameaça de tarifaço de Trump; dólar sobe 2,26%, a R$ 5,54

Ibovespa acumula pior desempenho semanal desde 2022, enquanto dólar reage à tensão geopolítica e avança 2,26% na semana. Investidores globais monitoram medidas comerciais de Trump contra Brasil e Canadá.

Mercado fecha semana em queda após ameaça de tarifaço de Trump; dólar sobe 2,26%, a R$ 5,54
Especialistas avaliam que o aumento do dólar reflete, além da tensão com os Estados Unidos, uma movimentação global de reprecificação de ativos diante de uma postura mais agressiva de Trump/Freepik
Publicado em 12/07/2025 às 9:00

Da redação de LexLegal

O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana em clima de cautela e instabilidade, refletindo os desdobramentos da decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar tarifas adicionais de até 50% sobre produtos brasileiros. A tensão geopolítica gerada pela medida impactou diretamente o dólar, que subiu ao longo da semana, e levou a bolsa brasileira a registrar sua pior performance semanal em quase dois anos.

Leia também: Santos Neto Advogados assessora emissão de R$ 36 milhões em CRA da Tobasa Bioindustrial

Nesta sexta-feira (11), o dólar comercial chegou a ser negociado a R$ 5,58 durante a manhã, diante da aversão global ao risco, mas desacelerou no período da tarde. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 5,548, com leve alta de 0,1% sobre o fechamento anterior. O movimento foi influenciado por investidores que aproveitaram a valorização acumulada nos últimos dias para vender dólares e garantir lucros. Na semana, o dólar acumulou valorização de 2,26%. Em julho, a moeda já sobe 2,1%, embora ainda acumule queda de 10,23% em 2025.

O ambiente de incerteza também afetou o mercado de ações. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou o dia com recuo de 0,42%, aos 136.171 pontos. Durante a sessão, o índice chegou a cair 0,89%, puxado pelo receio de uma escalada protecionista que comprometa as exportações brasileiras para os Estados Unidos — o segundo maior destino das vendas externas do país. No entanto, a leve recuperação dos preços internacionais das commodities, especialmente petróleo e minério de ferro, trouxe algum alívio no fim do pregão, ajudando a sustentar as ações da Petrobras e da Vale.

Apesar da recuperação parcial, o Ibovespa fechou a semana com queda acumulada de 3,59%, a pior desde dezembro de 2022. A volatilidade foi amplificada não só pela crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas também por novas medidas protecionistas de Trump contra o Canadá. A tarifa de 35% anunciada para produtos canadenses, com vigência a partir de 1º de agosto, reforçou o temor de uma nova onda de guerra comercial às vésperas das eleições presidenciais nos EUA, o que impacta moedas e bolsas ao redor do mundo.

Especialistas avaliam que o aumento do dólar reflete, além da tensão com os Estados Unidos, uma movimentação global de reprecificação de ativos diante de uma postura mais agressiva de Trump. O movimento de valorização da moeda americana frente a outras divisas internacionais indica a busca de segurança por parte de investidores estrangeiros.

Veja também: Stocche Forbes, PMK e Vieira Rezende atuam em emissão de debêntures de R$ 93 milhões da Thopen Solar

A expectativa agora se volta para a reação do governo brasileiro e possíveis medidas diplomáticas e comerciais. A elevação das tarifas coloca em risco setores estratégicos da economia nacional, como a indústria de carnes, siderurgia, aviação e agronegócio, cujas exportações dependem fortemente do mercado norte-americano.

SÃO PAULO WEATHER