Mercado eleva previsão de inflação e reduz expectativa de corte da Selic

Da redação de LexLegal
O mercado financeiro voltou a elevar a projeção de inflação para 2026 e reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. O movimento ocorre em meio à disparada do petróleo após a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
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Dados do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, mostram que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%. O indicador permanece abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%, mas indica aumento das pressões inflacionárias.
Há um mês, a estimativa do mercado estava em 3,95%. Considerando apenas as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa subiu de 3,92% para 4,12%. A projeção para a inflação de 2027 permaneceu estável em 3,80%.
O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado ficou abaixo da estimativa do próprio mercado financeiro, que projetava 4,31%, e também da previsão do Banco Central, que indicava inflação de 4,4% para o período.
O cenário de inflação mais pressionada ocorre em meio a tensões geopolíticas e ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent voltou a superar a marca de US$ 100, o que eleva o risco de novos choques inflacionários em escala global.
O aumento da commodity afeta diretamente custos de energia, combustíveis e transporte, com reflexos sobre diversos setores da economia. Esse cenário também alterou as expectativas para a política monetária brasileira.
Economistas passaram a projetar um corte menor da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A mediana das estimativas agora aponta para redução de 0,25 ponto porcentual na reunião marcada para esta semana.
Caso a previsão se confirme, a taxa básica cairia de 15% para 14,75%. É a primeira vez desde dezembro de 2025 que o relatório Focus deixa de indicar uma redução de 0,50 ponto porcentual. Na reunião anterior do Copom, realizada em janeiro, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano.
Na ocasião, a autoridade monetária sinalizou que iniciaria o processo de flexibilização da política monetária na reunião seguinte. O mercado esperava uma redução mais forte dos juros, especialmente diante do nível elevado da taxa real brasileira.
A escalada do conflito no Oriente Médio, porém, alterou esse cenário. O ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou o risco de choques de oferta no mercado de energia e ampliou a incerteza econômica global.
As projeções para a taxa Selic no fim de 2026 também foram revisadas. A mediana passou de 12,13% para 12,25%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 10,50%. As projeções para 2028 e 2029 ficaram em 10% e 9,50%, respectivamente.
O relatório Focus também trouxe revisões para o crescimento da economia brasileira. A estimativa para o Produto Interno Bruto de 2026 subiu levemente, de 1,82% para 1,83%. Há um mês, o mercado projetava expansão de 1,80%. Já a expectativa para 2027 permanece em 1,80%.
Para 2028 e 2029, as projeções de crescimento continuam em 2%. O Banco Central também revisou sua estimativa para o crescimento da economia brasileira neste ano. Segundo o Relatório de Política Monetária, a previsão de expansão passou de 2% para 2,3%.
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De acordo com a autoridade monetária, a revisão reflete ajustes nas séries históricas das Contas Nacionais e um desempenho melhor que o esperado da agropecuária no primeiro semestre. As projeções para o dólar tiveram pouca variação.
A expectativa para o câmbio no fim de 2026 recuou levemente de R$ 5,41 para R$ 5,40. Para 2027, a previsão caiu de R$ 5,50 para R$ 5,47. As estimativas para 2028 e 2029 permanecem próximas de R$ 5,50.