Mercado eleva previsão da inflação e guerra pressiona combustíveis

Da Redação de LexLegal
O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central, a expectativa para o IPCA, índice oficial que mede a inflação no país, passou de 4,89% para 4,91%.
A nova projeção ultrapassa novamente o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite máximo aceito pelo Banco Central é de 4,5%.
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A piora das estimativas ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços internacionais do petróleo e eleva o risco de aumento dos combustíveis no Brasil. O impacto acaba chegando ao consumidor por meio do transporte, da alimentação e de produtos ligados à logística.
Os dados mais recentes do IBGE mostram que a inflação oficial subiu 0,88% em março, acima dos 0,7% registrados em fevereiro. O avanço foi puxado principalmente pelos grupos de transportes e alimentação. No acumulado de 12 meses, o IPCA ficou em 4,14%.
Para 2027, a previsão de inflação foi mantida em 4%. Já para 2028 e 2029, as projeções do mercado ficaram em 3,64% e 3,5%, respectivamente.
Selic segue alta mesmo após novo corte
A taxa Selic, usada pelo Banco Central para tentar controlar a inflação, está atualmente em 14,5% ao ano. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária reduziu os juros em 0,25 ponto percentual pela segunda reunião consecutiva.
A Selic funciona como a taxa básica da economia. Quando ela sobe, empréstimos e financiamentos ficam mais caros, o que reduz consumo e desacelera a inflação. Quando cai, o crédito tende a ficar mais barato e a atividade econômica ganha estímulo.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O Banco Central iniciou os cortes após sinais de desaceleração da inflação, mas o conflito no Oriente Médio voltou a aumentar as incertezas.
Na ata da última reunião, o Copom afirmou que monitora os efeitos da guerra sobre combustíveis, alimentos e inflação global. O colegiado evitou antecipar os próximos passos da política de juros.
O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 16 e 17 de junho. Segundo o Focus, a expectativa do mercado é que a Selic termine 2026 em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, as projeções apontam juros de 11,25% e 10%, respectivamente.
Mercado mantém previsão de crescimento fraco
O boletim também manteve em 1,85% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026. O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é usado para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção subiu levemente de 1,75% para 1,76%. Em 2028 e 2029, a expectativa é de crescimento de 2%. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, segundo o IBGE. O avanço foi puxado principalmente pela agropecuária e pelo desempenho positivo de todos os grandes setores econômicos.
No câmbio, o mercado manteve a previsão do dólar em R$ 5,20 no fim deste ano. Para 2027, a expectativa é de moeda norte-americana cotada a R$ 5,30.
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O cenário combina inflação pressionada, juros ainda elevados e desaceleração econômica. A combinação aumenta a pressão sobre o Banco Central, que tenta reduzir a Selic sem perder o controle da alta de preços em meio às tensões internacionais.