Mensalidades de faculdades privadas caem até 4,3% em 2026

Da Redação de LexLegal
As mensalidades das faculdades privadas ficaram mais baratas em 2026 no Brasil, segundo levantamento divulgado durante o Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, no Rio de Janeiro. Os cursos presenciais registraram queda média de 4,3% nos preços, enquanto as graduações a distância tiveram recuo de 1,8%.
Os dados fazem parte da pesquisa Cenário de Precificação da Graduação Brasil 2026, produzida pela Hoper Educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). O estudo considera os valores efetivamente pagos pelos estudantes, incluindo descontos e abatimentos oferecidos pelas instituições.
Leia também: Justiça francesa condena Airbus e Air France por queda do voo entre Rio e Paris em 2009
Segundo o levantamento, a mediana nacional das mensalidades presenciais caiu de R$ 873 em 2025 para R$ 835 em 2026. Já os cursos EAD passaram de R$ 218 para R$ 214.
A mediana representa o valor que fica exatamente no meio da amostra analisada. Isso significa que metade das mensalidades cobradas no país está acima desse valor e metade abaixo.
Os pesquisadores apontam que o movimento reflete o aumento da concorrência entre instituições privadas e a maior preocupação dos estudantes com custo-benefício, empregabilidade e retorno financeiro da graduação.
Engenharias lideram queda nos preços
Os cursos de engenharia presencial apareceram entre os que mais perderam valor ao longo da série histórica analisada pela pesquisa.
Segundo o estudo, a mediana das mensalidades caiu de R$ 1.743 em 2016 para R$ 967 em 2026. A avaliação é que a redução está ligada à retração da procura, ao aumento da oferta e à migração de estudantes para modalidades híbridas e a distância.
Já Medicina continua sendo o curso mais caro do ensino superior privado brasileiro. Em 2026, a mediana das mensalidades chegou a R$ 11,4 mil nas instituições privadas.
Aluno ficou mais sensível ao preço
Na avaliação dos pesquisadores, o mercado de ensino superior privado vive uma pressão crescente por diferenciação.
Com maior concorrência e crescimento da educação digital, as instituições passaram a disputar alunos também pelo preço das mensalidades.
“Hoje, o aluno não apenas pergunta quanto custa; ele pergunta se vale”, afirma o estudo.
A pesquisa aponta que o reajuste automático deixou de ser suficiente para sustentar competitividade. Faculdades passaram a depender mais de reputação, experiência acadêmica, qualidade percebida e inserção profissional dos alunos no mercado.
Mudanças no EAD ainda não chegaram ao bolso
Nos últimos anos, o Ministério da Educação endureceu regras para cursos superiores a distância após críticas relacionadas à qualidade do ensino e à expansão acelerada do modelo.
Em 2025, o MEC revisou as normas do EAD e determinou que cursos de bacharelado, licenciatura e tecnologia não poderão mais funcionar integralmente a distância.
O estudo afirma que os impactos dessas mudanças ainda não apareceram totalmente nos preços cobrados pelas instituições.
“O desafio é que parte dos cursos migrados ainda opera com valores próximos à EAD de 2025, embora o semipresencial tenda a exigir maior estrutura, presencialidade e custo de entrega”, diz a pesquisa.
Ensino privado concentra maioria dos alunos
O levantamento também reforça o peso das instituições privadas no ensino superior brasileiro.
Segundo o Censo da Educação Superior de 2024, o Brasil possui 10,2 milhões de estudantes matriculados no ensino superior. Desse total, 8,2 milhões estão em instituições privadas.
Os dados mostram ainda que o ensino a distância ultrapassou o presencial no país. Atualmente, são 5,2 milhões de estudantes matriculados em cursos EAD, contra 5 milhões no modelo presencial.
Veja também: FCAM Advogados anuncia Adler Van Grisbach Woczikosky como novo chefe de gestão
A redução das mensalidades acontece em um cenário de mudança estrutural no ensino superior brasileiro, marcado por expansão do ensino digital, aumento da concorrência e maior pressão por preços mais baixos.