Mattos Filho, Veirano e Latham & Watkins assessoram data center do TikTok no Ceará

Mattos Filho, Veirano e Latham & Watkins assessoram data center do TikTok no Ceará
Projeto de data center do TikTok no Porto do Pecém pode superar US$ 30 bilhões em investimentos/Freepik
Publicado em 05/03/2026 às 11:00

Da redação de LexLegal

O escritório Mattos Filho assessorou a Omnia na estruturação de um dos maiores projetos de infraestrutura digital em desenvolvimento no Brasil. O empreendimento envolve a criação de um mega data center no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, com potencial de investimento superior a US$ 30 bilhões.

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O projeto é desenvolvido pela Omnia DC Holding I S.A., plataforma de investimento gerida pelo Patria Investimentos, e tem como cliente a ByteDance Brasil Tecnologia Ltda., empresa responsável pelo TikTok. A iniciativa também envolve a geradora de energia renovável Casa dos Ventos.

O empreendimento será instalado dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. As ZPEs são áreas industriais criadas pelo governo federal com incentivos tributários e regras específicas para empresas voltadas à exportação.

Nesse caso, o modelo permite que o data center exporte serviços digitais, como processamento de dados e inteligência artificial, utilizando benefícios fiscais previstos nesse regime especial.

O projeto do Pecém é considerado pioneiro porque será o primeiro data center instalado em uma ZPE brasileira. A estrutura foi desenhada para atingir capacidade de até 200 megawatts de processamento de tecnologia da informação, padrão típico de data centers chamados hyperscale, voltados a grandes plataformas digitais.

Essas instalações são centros de processamento de dados que concentram servidores e infraestrutura tecnológica responsável por armazenar e processar grandes volumes de informação. Empresas como plataformas de redes sociais, streaming e inteligência artificial dependem desse tipo de estrutura.

A operação também envolveu uma complexa estrutura jurídica para viabilizar o fornecimento de energia ao data center. O modelo adotado combina contratos de autoprodução de energia com acordos de interface energética.

Na autoprodução, empresas se tornam sócias ou investidoras em usinas de geração elétrica para garantir o próprio abastecimento. Já o chamado Power Purchase Agreement (PPA) é um contrato de longo prazo para compra de energia, amplamente utilizado em projetos de infraestrutura e geração renovável.

No caso do Pecém Data Center, esses mecanismos foram integrados a contratos específicos que permitem o repasse da energia gerada para a operação do centro de dados, criando um arranjo considerado inovador no mercado.

Além da estrutura energética, a operação também envolveu uma transação societária. A Omnia adquiriu 100% das ações da DC I, empresa detentora da licença energética necessária ao projeto.

Esse tipo de operação é conhecido no mercado como share purchase agreement (SPA), contrato utilizado para formalizar a compra de participação societária em empresas.

Antes da aquisição, foi realizada uma due diligence jurídica. Trata-se de uma auditoria legal que analisa riscos, contratos, ativos e obrigações da empresa alvo antes da conclusão do negócio.

O projeto também exigiu aprovação de autoridades regulatórias, incluindo o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar impactos concorrenciais de grandes operações.

Outro eixo relevante da estrutura jurídica foi a negociação de contratos imobiliários e de ocupação do terreno dentro do complexo portuário do Pecém. Esses contratos garantem o direito de uso da área necessária para instalação e operação do data center.

Também foram estruturados contratos de engenharia, aquisição e construção da infraestrutura tecnológica. Esses acordos são conhecidos como EPC contracts, sigla para Engineering, Procurement and Construction, modelo comum em grandes projetos de infraestrutura.

O projeto inclui ainda contratos para aquisição de equipamentos críticos de data center, além de acordos de colocation. Nesse modelo, empresas utilizam infraestrutura compartilhada para instalar seus servidores e operar serviços digitais.

No caso do empreendimento cearense, o contrato de colocation regula a utilização da estrutura pela ByteDance, definindo responsabilidades operacionais e prestação de serviços pela empresa responsável pela infraestrutura.

O projeto também prevê forte integração com energia renovável. Parte do fornecimento elétrico será garantido por parques eólicos desenvolvidos pela Casa dos Ventos, reforçando a tendência global de data centers alimentados por energia limpa.

Segundo executivos envolvidos na iniciativa, o empreendimento pode transformar o Porto do Pecém em um polo estratégico para infraestrutura digital e processamento de dados voltados à inteligência artificial.

No campo jurídico, a Omnia foi assessorada pelo escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados. A equipe contou com os sócios Pablo SorjRodrigo Figueiredo NascimentoFabiano Ricardo Luz de BritoThiago Fernandes MoreiraLeonardo HomsyJanaína Vargas e Natália de Santis, além dos advogados Bárbara Mendes CarnevalliJuliana Katsue Motinaga SatoLuiza Leão LimaMarcela da Fonte FreireMarcelle Fazzato Lopes FunariMarcus Vinicius AraújoRafael do Nascimento Fernandes Bessa e Ye Lin Kim.

A assessoria internacional foi conduzida pelo escritório Latham & Watkins, com participação dos advogados Guido Liniado, Pedro Rufino, Giancarlo Reanda e Arthur Barbosa. A ByteDance foi representada pelo escritório Veirano Advogados, com atuação de Daniel Engel, Lívia Amorim, Maria Cecília Vieira e Isabela Marzullo.

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O Pecém Data Center é apontado como um dos maiores projetos privados de infraestrutura digital da América Latina e pode consolidar o Brasil como polo regional de processamento de dados e serviços de inteligência artificial.

SÃO PAULO WEATHER