Mattos Filho e Demarest atuam na venda da Usina Diana para a família Graciano

Da redação de LexLegal
A Diana Bioenergia Avanhandava S.A., tradicional usina de cana-de-açúcar e etanol localizada em São Paulo, foi vendida integralmente para a Santa Maria Agropecuária Novo Horizonte Ltda., holding formada pela segunda geração da família Graciano, reconhecida no setor de agronegócio. O contrato foi assinado em 25 de agosto de 2025 e ainda depende do cumprimento de condições precedentes, entre elas a aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que avalia possíveis impactos concorrenciais no mercado.
Leia também: Mattos Filho atua em emissão de R$ 2,78 bi em debêntures da Brava Energia e Bradesco BBI
A transação, cujo valor permanece confidencial, envolve a transferência de 100% das ações da Diana Bioenergia, pertencentes a Renata Sodré Egreja Junqueira e à LAAX Empreendimentos e Participações Ltda. Na prática, a negociação consolida o crescimento da família Graciano no setor sucroenergético, em linha com um movimento mais amplo de expansão de grupos familiares na produção de etanol, açúcar e bioeletricidade no Brasil.
Estrutura e contexto da operação
Esse tipo de negócio é conhecido como M&A (Mergers and Acquisitions, ou Fusões e Aquisições), em que há a compra de participação total ou parcial em empresas. No caso da Diana, a operação se enquadra como uma aquisição de controle, já que a totalidade das ações passará a ser detida pela compradora. Esse modelo exige atenção a questões jurídicas e regulatórias — em especial a análise do Cade, que precisa verificar se a concentração não prejudicará a concorrência no mercado de bioenergia.
Além do Cade, também entram em jogo outros fatores jurídicos e financeiros típicos de operações complexas: auditorias legais e contábeis, garantias de pagamento, responsabilidades trabalhistas e ambientais, além de contratos de financiamento rural que muitas vezes estão atrelados ao funcionamento das usinas.
Escritórios e advogados envolvidos
Na assessoria jurídica dos vendedores (Diana Bioenergia, Renata Sodré Egreja Junqueira e LAAX Empreendimentos e Participações), atuou o Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, com uma equipe de peso formada pelos sócios João Ricardo de Azevedo Ribeiro, Rodrigo Egual de Carvalho e Janaína Vargas, além dos advogados Bernardo Rache de Almeida, Lívia Lima, Alexandre Andrade, Vinicius da Cruz Batista e Vítor San Juan Faria.
Do lado comprador, a Santa Maria Agropecuária Novo Horizonte Ltda. contou com assessoria financeira do Banco Rabobank e apoio jurídico do Demarest Advogados, escritório que também assessorou a ALPG Agropecuária Ltda., garantidora da operação.
O envolvimento de bancos e escritórios de grande porte mostra a complexidade da transação, que não se limita à compra de ativos, mas também envolve questões de sucessão familiar, financiamento agrícola e estratégia empresarial no mercado de bioenergia.
Veja também: Demarest assessora aporte de R$ 20 milhões na Vaas Tecnologia
Importância para o setor
A venda da Usina Diana reflete uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: a reorganização societária de grandes grupos por meio de operações estruturadas. O setor sucroenergético, em especial, tem atraído investidores pela combinação entre produção de energia limpa (etanol e bioeletricidade), crescente demanda por açúcar no mercado internacional e o fortalecimento do Brasil como protagonista global em biocombustíveis.