Maduro nega acusações em audiência nos EUA e se declara “prisioneiro de guerra”

Da redação de LexLegal
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou nesta segunda-feira (5) as acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos durante audiência de custódia realizada no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York. Diante do juiz Alvin Hellerstein, o líder venezuelano rejeitou as imputações de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado, afirmou ser inocente e disse ter sido capturado em uma operação militar conduzida por forças norte-americanas.
Leia também: Maduro e Cilia Flores passam por audiência de custódia em Nova York
Durante a sessão, que durou pouco mais de meia hora, Maduro declarou ser um “prisioneiro de guerra” e se apresentou como vítima de uma ação ilegal. “Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou ao magistrado. Em outro momento, disse que continua sendo o chefe de Estado de seu país e contestou a legitimidade da detenção realizada fora do território norte-americano.
Na audiência, Maduro e sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, foram formalmente informados das acusações apresentadas pelo Departamento de Justiça dos EUA. Segundo a promotoria, integrantes do governo venezuelano teriam utilizado cargos públicos para facilitar o envio de grandes carregamentos de cocaína ao mercado norte-americano, com apoio de estruturas armadas e financiamento oriundo do narcotráfico. As autoridades também mencionaram o ministro do Interior, Diosdado Cabello, como parte do suposto esquema.
O presidente venezuelano voltou a negar qualquer vínculo com organizações criminosas e sustentou que as acusações têm motivação política. Para Maduro, o objetivo do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, seria ampliar o controle sobre recursos naturais estratégicos da Venezuela. O país concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e também possui extensas jazidas de gás natural e ouro. Especialistas ouvidos por veículos internacionais destacam, ainda, que a Venezuela não figura como produtora de cocaína, o que alimenta questionamentos sobre a consistência das denúncias.
Após a audiência, o juiz decidiu manter Maduro e Cilia Flores sob custódia. O casal permanece detido no Centro Metropolitano de Detenção, em Manhattan, para onde foi levado depois da operação militar realizada no sábado (3) em território venezuelano. A ação ocorreu sem autorização do Congresso dos Estados Unidos ou do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, segundo apontam analistas internacionais.
O deslocamento do presidente venezuelano ao tribunal foi acompanhado por um forte esquema de segurança. Do lado de fora do prédio, grupos com posições opostas se manifestaram desde as primeiras horas do dia: um defendendo a manutenção da prisão e outro pedindo a libertação imediata do líder chavista.
Defesa
Por designação da própria Justiça norte-americana, Maduro e Cilia Flores foram assistidos na audiência pelo advogado criminalista David Wikstrom. De acordo com o jornal New York Times, a defesa também contará com Barry Pollack, conhecido por atuar em casos de repercussão internacional. Wikstrom já participou de processos envolvendo acusações semelhantes, como o que levou à condenação do ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández. Pollack, por sua vez, ganhou projeção mundial ao integrar a defesa do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.
Veja também: Trump amplia ameaças após ataque à Venezuela e mira Groenlândia e Colômbia
Após a audiência, os advogados informaram que, por ora, não pretendem solicitar liberdade provisória mediante fiança, embora essa possibilidade não esteja descartada em um momento posterior. O juiz Alvin Hellerstein agendou uma nova audiência para o dia 17 de março, quando o caso deverá avançar para as próximas etapas processuais.