Machado Meyer e Pinheiro Guimarães assessoram Suzano em emissão bilionária de títulos globais

Da redação de LexLegal
A Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, concluiu uma emissão internacional de títulos de dívida (bonds) que movimentou mais de US$ 2,2 bilhões nos mercados de capitais. A operação, fechada em 18 de setembro de 2025, envolveu escritórios de advocacia de peso no Brasil e no exterior, refletindo a complexidade e a relevância da transação para o setor de papel e celulose.
Leia também: Pinheiro Guimarães e Machado Meyer atuam na emissão de debêntures da B3
Os bonds, também chamados de notas globais, são instrumentos financeiros usados por empresas para captar recursos junto a investidores internacionais. Funciona como um “empréstimo coletivo”: investidores compram os títulos e, em troca, recebem juros periódicos até o vencimento. Esse tipo de operação permite à companhia diversificar fontes de financiamento e alongar prazos de dívida.
Na primeira frente, a Suzano Austria GmbH e a Suzano International Finance B.V. emitiram títulos garantidos pela controladora, com vencimentos em 2026 (juros de 5,750%) e 2027 (juros de 5,500%), no valor total de US$ 1,216 bilhão. Paralelamente, a Suzano Netherlands B.V. realizou a emissão e distribuição de US$ 1 bilhão em senior unsecured notes, com vencimento em 2036 e taxa de juros de 5,500%. O termo senior unsecured significa que os títulos não possuem garantias específicas (como ativos da empresa), mas têm prioridade no pagamento em caso de eventual reestruturação financeira.
Assessoria jurídica
A assessoria jurídica da operação foi dividida entre diferentes bancas.
Machado Meyer Advogados assessorou a Suzano. A equipe foi liderada pelo sócio Bruno Racy, com atuação dos advogados Matheus Wassano Ishigaki, Carolina Maronez Barreto, Beatriz Antunes de Siqueira e Júlia Soares.
Pinheiro Guimarães Advogados representou os bancos coordenadores da oferta, entre eles BofA, Crédit Agricole, HSBC, JP Morgan, MUFG e UBS. O time envolvido contou com os sócios Ivie Moura Alves e Fernando John Friedmann Junior, além dos advogados Caio Tonanni Gioielli, Janilson Vaz e o estagiário Fabrizio D’Angelo.
No exterior, a Suzano também contou com o apoio do Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, representado por Juan G. Giráldez, Jonathan Mendes de Oliveira, Raisa Reggiori e Victor Barone.
Os bancos foram ainda assessorados pelo escritório internacional Milbank LLP, com a equipe formada por Tobias Stirnberg, Fabiana Sakai, Alexia Raad, Elora Farias, Maria Rafaela Nunes e Manuela Bins.
Segundo especialistas, a emissão reforça a estratégia da Suzano de consolidar liquidez em moeda estrangeira e ampliar o prazo médio de sua dívida, em um momento de volatilidade nos mercados globais. Além disso, a taxa de juros obtida, considerada competitiva, demonstra a confiança dos investidores internacionais na companhia brasileira.
Essa operação é relevante não apenas pelo volume, mas também pelo impacto regulatório e contratual. Os documentos de emissão precisam seguir regras da Securities and Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos, e obedecer ao padrão internacional de transparência e garantias aos investidores. Ao mesmo tempo, envolvem contratos complexos de garantia corporativa, que exigem acompanhamento detalhado das bancas jurídicas.
Veja também: Pinheiro Guimarães e Machado Meyer atuam em emissão de debêntures do CBV
O resultado final posiciona a Suzano de forma mais sólida no mercado internacional de capitais, reforçando sua imagem como empresa brasileira de destaque no segmento de sustentabilidade e inovação em bioeconomia.