Lula reúne governo, Judiciário e órgãos de controle para fortalecer combate ao crime organizado

Lula reúne governo, Judiciário e órgãos de controle para fortalecer combate ao crime organizado
Presidente defende atuação integrada do Estado contra avanço das organizações criminosas/Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 16/01/2026 às 6:00

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordenou, na manhã desta quinta-feira (15), uma reunião no Palácio do Planalto com integrantes do Executivo, do Judiciário e de órgãos de investigação para discutir estratégias de enfrentamento ao crime organizado. O encontro teve como foco a articulação institucional entre diferentes áreas do Estado diante do crescimento e da complexidade das organizações criminosas no país.

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Participaram da reunião o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.

A presença de autoridades de diferentes áreas sinalizou a tentativa de consolidar uma abordagem integrada no combate às estruturas criminosas, que hoje operam de forma transversal, alcançando desde o sistema financeiro até setores da economia formal. A avaliação interna do governo é de que o enfrentamento ao crime organizado exige respostas coordenadas e permanentes, e não ações isoladas.

Após a reunião, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou que houve um consenso entre os participantes sobre a necessidade de tratar o combate ao crime organizado como política de Estado. “Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses atores, de elevar ao status de ação do Estado, o combate ao crime organizado. De maneira que a relevância que o crime organizado assumiu nesse momento impõe, na percepção do presidente e de todos esses atores, a necessidade de uma atuação conjunta de todos os órgãos do Estado”, disse.

Segundo o ministro, a discussão não se concentrou em investigações específicas, mas na construção de um eixo permanente de atuação. “Eu acho que há uma constatação de que o tamanho do problema justifica e merece uma conjugação de esforços dessa escala”, afirmou, em declaração a jornalistas, ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O encontro ocorre em um momento de grande visibilidade para investigações envolvendo o sistema financeiro, especialmente após o avanço do caso relacionado ao Banco Master. O escândalo apura a utilização de estruturas financeiras para desvio de recursos e formação de patrimônio pessoal, com investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, além de medidas administrativas do Banco Central, como a liquidação da instituição.

Embora o tema esteja no centro do noticiário, Wellington Lima e Silva destacou que a reunião não teve como objetivo tratar de processos concretos. A ênfase foi colocada na construção de mecanismos permanentes de cooperação entre órgãos de controle, fiscalização, persecução penal e regulação econômica.

A participação do Banco Central e da Receita Federal reforçou a dimensão econômica e financeira do debate. Nos últimos anos, autoridades têm identificado que organizações criminosas atuam de maneira sofisticada, utilizando empresas de fachada, fundos de investimento, operações bancárias e estruturas tributárias para ocultar recursos e lavar dinheiro.

O envolvimento do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República indica a preocupação com a solidez jurídica das ações de repressão, sobretudo em investigações que envolvem autoridades com prerrogativa de foro e crimes de alta complexidade financeira.

No âmbito do governo, a reunião também sinaliza uma tentativa de alinhar comunicação, política econômica e política de segurança pública em torno de um discurso comum: o de que o combate ao crime organizado não pode ser tratado apenas como tema policial, mas como uma agenda estrutural de Estado.

Ainda nesta quinta-feira, Wellington Lima e Silva deve voltar a se reunir com o presidente Lula, acompanhado do ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma cerimônia simbólica de posse no cargo. A agenda marca oficialmente o início de sua atuação à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Após a cerimônia, o ministro deverá conceder nova entrevista coletiva para apresentar as prioridades de sua gestão. A expectativa é de que o combate ao crime organizado apareça como eixo central do planejamento estratégico da pasta, em articulação direta com a Polícia Federal, o Ministério Público e os órgãos de controle financeiro.

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A reunião no Planalto indica uma tentativa de transformar o enfrentamento ao crime organizado em uma política pública transversal, envolvendo áreas que tradicionalmente atuam de forma segmentada. O desafio, segundo avaliação de especialistas, será transformar a coordenação política em mecanismos operacionais contínuos e eficazes.

SÃO PAULO WEATHER