Lula e von der Leyen defendem acordo Mercosul-UE como motor de prosperidade

Da redação de LexLegal
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi apresentado como um instrumento para promover prosperidade econômica e reduzir desigualdades sociais pelos chefes dos dois blocos. A avaliação foi compartilhada nesta sexta-feira (16) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontro no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, às vésperas da assinatura formal do tratado.
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Após mais de 25 anos de negociações, a aprovação do acordo pela União Europeia foi anunciada na semana passada. Com isso, Mercosul e UE caminham para a formação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas. A expectativa é que a integração amplie fluxos comerciais, estimule investimentos e redefina cadeias globais de produção.
Ao falar sobre o significado político e econômico do tratado, Lula ressaltou que a abertura comercial só é legítima se gerar ganhos concretos para a sociedade. “Liberalização e abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”, afirmou. Para o presidente, comércio e investimentos devem ser ferramentas para a criação de empregos e ampliação de oportunidades.
Ele também destacou que o acordo precisa estar acompanhado de compromissos sociais e ambientais. “Diálogo político e cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”, disse. Segundo Lula, o tratado reforça a agenda brasileira de combate às mudanças climáticas, promoção da igualdade de gênero e proteção dos direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores.
O presidente brasileiro afirmou ainda que o país pretende mudar sua posição histórica na divisão internacional do trabalho. “Não nos limitaremos ao eterno papel de exportador de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, declarou. Ele acrescentou que o acordo prevê incentivos para investimentos europeus no Mercosul, inclusive em cadeias estratégicas ligadas à transição energética e à transformação digital.
A presidente da Comissão Europeia também reforçou a visão de que o tratado é um projeto de longo prazo com efeitos estruturais. “Sei que, entre nossas regiões e nossos povos, o melhor ainda está por vir”, afirmou Ursula von der Leyen. Para ela, o acordo cria condições para geração de empregos e fortalecimento do ambiente empresarial dos dois lados do Atlântico.
Segundo a dirigente europeia, o comércio internacional precisa ser entendido como uma construção conjunta. “É assim que a gente cria a prosperidade verdadeira, que é a prosperidade compartilhada. Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de zero a zero”, disse, ao defender que ganhos econômicos podem beneficiar simultaneamente países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Ursula ressaltou que a assinatura do acordo, prevista para este sábado (17), no Paraguai, representa apenas o início de um processo mais amplo. “Toda história só será contada com êxito quando as empresas começarem a sentir os benefícios de nosso acordo. Algo que deve ocorrer rapidamente”, afirmou.
Ela destacou ainda que o tratado oferece previsibilidade regulatória e segurança jurídica, fatores essenciais para estimular investimentos. Segundo suas palavras, as regras claras e as cadeias de abastecimento organizadas “servirão de rodovias para o investimento”, ao criar um ambiente mais estável para o comércio e para a produção industrial.
Durante o discurso, Ursula von der Leyen agradeceu diretamente ao presidente brasileiro pelo empenho político nas negociações finais. “Este acordo agora concluído é a conquista de uma geração inteira”, afirmou. Em seguida, elogiou a postura de Lula: “A liderança política, o compromisso pessoal e a paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas e meses foram realmente enormes”.
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O encontro no Rio de Janeiro marcou um momento simbólico de convergência entre os dois blocos. Além da dimensão econômica, as falas de Lula e de Ursula indicaram que o acordo pretende se consolidar também como um pacto político em defesa de valores comuns, como desenvolvimento sustentável, redução das desigualdades e fortalecimento do multilateralismo.