Lula e premiê de Portugal aceleram acordo UE-Mercosul antes da assinatura no Paraguai

Lula e premiê de Portugal aceleram acordo UE-Mercosul antes da assinatura no Paraguai
Apesar do entusiasmo diplomático, o caminho até a entrada em vigor ainda é longo. Cada país precisará ratificar o texto, o que pode envolver debates intensos, principalmente em nações europeias onde há resistência por parte de setores agrícolas e ambientais/União Europeia/Mercosul
Publicado em 14/01/2026 às 8:00

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, discutiram os últimos passos para a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, prevista para o próximo dia 17, no Paraguai. O tratado, negociado ao longo de 25 anos, é considerado um dos maiores pactos comerciais do mundo e ainda precisará passar pelo processo de aprovação interna em cada um dos países que fazem parte dos dois blocos.

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Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, os dois líderes manifestaram satisfação com a conclusão das negociações e reforçaram a importância de que as novas regras comecem a valer o quanto antes. A avaliação é que o acordo pode ter impacto direto sobre comércio, investimentos, geração de empregos e integração econômica entre América do Sul e Europa.

Na conversa, Montenegro cumprimentou Lula pelo papel desempenhado pelo Brasil na reta final das negociações, destacando o empenho do governo brasileiro para destravar pontos sensíveis que vinham atrasando a conclusão do tratado. O diálogo reforça o movimento de articulação diplomática para acelerar a etapa seguinte, que é a chamada internalização, quando cada país submete o texto do acordo ao seu respectivo Parlamento.

“Ambos coincidiram que a decisão dos dois blocos é um gesto muito importante de defesa do multilateralismo e do livre comércio, com grande dimensão política e estratégica neste momento histórico. Concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria firmada”, informou a Presidência da República, em nota.

Na prática, o acordo UE-Mercosul prevê a redução gradual de tarifas de importação e exportação, a ampliação do acesso a mercados, regras comuns para compras governamentais, propriedade intelectual e compromissos ambientais. Para o Brasil, a expectativa é de ganhos especialmente no agronegócio, na indústria de alimentos, na mineração e em segmentos da indústria de transformação. Para os europeus, o tratado amplia a presença em um mercado de mais de 260 milhões de consumidores na América do Sul.

Apesar do entusiasmo diplomático, o caminho até a entrada em vigor ainda é longo. Cada país precisará ratificar o texto, o que pode envolver debates intensos, principalmente em nações europeias onde há resistência por parte de setores agrícolas e ambientais. No Mercosul, também há discussões sobre os efeitos do acordo para a indústria local e a competitividade das empresas nacionais.

Além da pauta comercial, Lula e Montenegro trocaram impressões sobre o cenário político na Venezuela. Segundo o Planalto, ambos destacaram a necessidade de evitar qualquer quadro de instabilidade que possa comprometer a segurança e o equilíbrio político da América do Sul. O tema tem sido recorrente nas agendas diplomáticas do Brasil, que tenta manter diálogo aberto com diferentes governos da região.

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A conversa entre os dois líderes ocorre em um momento de tentativa de reposicionamento do Brasil no cenário internacional, com ênfase na retomada do multilateralismo e no fortalecimento de acordos comerciais como ferramenta de crescimento econômico e projeção política.

SÃO PAULO WEATHER