Lula e Macron prometem concluir acordo Mercosul-UE ainda em 2025

Da redação de LexLegal
Em meio ao aumento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, reafirmaram nesta quarta-feira (20) o compromisso de concluir ainda neste semestre as negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia, estagnadas há mais de duas décadas. O Brasil ocupa a presidência rotativa do bloco e tem a meta de avançar na integração econômica com os europeus.
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Segundo nota oficial do Palácio do Planalto, “Macron e Lula comprometeram-se a ultimar o diálogo com vistas à assinatura do acordo Mercosul-União Europeia ainda neste semestre, durante a presidência brasileira do bloco”. O comunicado acrescenta que “o Brasil continuará trabalhando para concluir novos acordos comerciais e abrir mercados para a produção nacional”.
Durante a ligação, que durou quase uma hora, Lula criticou a postura dos EUA e repudiou o uso político das tarifas contra o Brasil, ressaltando que o governo já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as “injustificadas tarifas norte-americanas”. Ele também reforçou a importância de “um comércio baseado em regras multilateralmente acordadas”, ao lado de Macron.
Além do comércio, os líderes discutiram a agenda ambiental. O francês confirmou presença na COP30, em Belém, em novembro. Para Lula, essa será a “COP da verdade, em que ficará claro quais países acreditam na ciência”. O presidente brasileiro destacou as metas ambiciosas assumidas pelo Brasil e cobrou compromisso proporcional da União Europeia.
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Na pauta, também entraram temas globais como o conflito entre Rússia e Ucrânia. Macron elogiou o papel do Grupo de Amigos da Paz, liderado por Brasil e China, e ambos acordaram manter diálogo sobre a guerra. Lula ainda demonstrou preocupação com o aumento dos gastos militares enquanto milhões enfrentam a fome, defendendo a reforma das instituições multilaterais. No campo bilateral, Brasil e França devem ampliar a cooperação em defesa, com projetos conjuntos de helicópteros, submarinos e satélites.