Lula cobra apuração de falhas da Enel em SP

Lula cobra apuração de falhas da Enel em SP
Despacho aciona AGU, CGU e Aneel por falhas no serviço da Enel/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 12/01/2026 às 13:30

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que autoridades do Executivo e do setor elétrico adotem “medidas cabíveis e necessárias à plena garantia da prestação adequada, contínua e eficiente do serviço público de distribuição de energia elétrica” para a população da região metropolitana de São Paulo. A ordem foi publicada em despacho no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (12) e tem como base as falhas registradas no fornecimento de energia na maior área urbana do país.

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A distribuição de energia na capital paulista e nos municípios do entorno é realizada pela Enel São Paulo, concessionária responsável pelo serviço público na região. Como concessionária, a empresa deve cumprir padrões legais e contratuais de continuidade, qualidade e eficiência no fornecimento, sob fiscalização permanente do poder público.

O despacho presidencial é dirigido ao Ministério de Minas e Energia, à Advocacia-Geral da União (AGU), à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O texto afirma que a medida se fundamenta diretamente nas falhas ocorridas na prestação do serviço na Grande São Paulo, indicando que os problemas deixaram de ser tratados como episódios isolados e passaram a demandar apuração institucional.

À AGU, Lula determinou que seja elaborado um “relatório circunstanciado sobre as providências adotadas pela concessionária de distribuição de energia elétrica, a partir da primeira interrupção relevante”. O despacho também estabelece que a advocacia pública federal deve utilizar “todas as medidas judiciais e extrajudiciais necessárias, inclusive com requisição de informações junto à ANEEL”.

Na prática, a AGU passa a ter a atribuição de reconstruir tecnicamente a atuação da concessionária desde o início das interrupções mais graves, analisando se houve omissão, falha de resposta ou descumprimento de obrigações contratuais e regulatórias.

À CGU, o presidente determinou que identifique “eventual responsabilidade dos entes federativos envolvidos”. Isso amplia o escopo da apuração para além da concessionária, incluindo a análise da atuação de órgãos públicos que tenham competência sobre a fiscalização e a regulação do serviço.

O despacho também solicita que a CGU apure, em conjunto com a Aneel, as razões da “ausência de atuação tempestiva dos órgãos competentes, tendo em vista os reiterados pedidos do Ministério de Minas e Energia para instauração de processo administrativo para apuração das falhas recorrentes na prestação do serviço”.

Esse trecho indica que o governo federal avalia a possibilidade de que tenha havido demora ou omissão por parte das instâncias responsáveis pela abertura de processos administrativos contra a concessionária, mesmo diante de alertas anteriores sobre a qualidade do serviço.

No modelo brasileiro de concessão de energia elétrica, a Aneel é a responsável por fiscalizar o cumprimento dos contratos e aplicar sanções quando há irregularidades. Essas sanções podem ir de multas até medidas mais graves, como a decretação de caducidade da concessão, em situações extremas de descumprimento reiterado das obrigações.

Do ponto de vista jurídico, o despacho reforça que a energia elétrica é considerada serviço público essencial. Isso significa que sua prestação deve ser contínua, adequada e eficiente, e que falhas sistemáticas podem caracterizar violação de direitos básicos da população, além de prejuízos econômicos relevantes.

Ao envolver simultaneamente AGU, CGU e Aneel, o governo estrutura uma resposta que combina apuração jurídica, controle administrativo e fiscalização regulatória. A AGU atua no campo das medidas judiciais e extrajudiciais, a CGU no controle interno e na responsabilização administrativa, e a Aneel na esfera técnica da regulação do setor elétrico.

Para a região metropolitana de São Paulo, a decisão presidencial tem impacto direto no debate público sobre a qualidade do fornecimento de energia, especialmente em um contexto em que interrupções prolongadas afetam serviços essenciais, como hospitais, transporte, telecomunicações e atividades econômicas.

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O despacho não antecipa punições, mas estabelece uma linha clara de cobrança institucional para que as falhas sejam apuradas e que eventuais responsabilidades sejam identificadas, tanto da concessionária quanto de órgãos públicos que eventualmente tenham deixado de agir no tempo adequado.

SÃO PAULO WEATHER