Lucro do Banco do Brasil despenca 60% no trimestre com novas regras e inadimplência

Lucro do Banco do Brasil despenca 60% no trimestre com novas regras e inadimplência
Nos nove primeiros meses de 2025, o BB acumulou R$ 14,943 bilhões em lucro, recuo de 47,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 13/11/2025 às 13:30

Da redação de LexLegal

O Banco do Brasil registrou uma queda expressiva no lucro do terceiro trimestre, pressionado por mudanças contábeis impostas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo avanço da inadimplência em segmentos estratégicos. Entre julho e setembro, o banco apurou lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, uma redução de 60,2% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo o balanço divulgado.

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Nos nove primeiros meses de 2025, o BB acumulou R$ 14,943 bilhões em lucro, recuo de 47,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024. O contraste é ainda maior quando comparado ao desempenho do ano passado, quando a instituição fechou com lucro recorde de R$ 37,9 bilhões. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior — abril a junho — o resultado ficou praticamente estável, já que o banco havia registrado R$ 3,784 bilhões.

Em nota, o BB afirmou que, apesar das pressões, as receitas seguem em trajetória de crescimento. O banco destacou o avanço do Programa Crédito do Trabalhador, que unificou a contratação de consignado para empregados da iniciativa privada. Segundo o comunicado, “o crescimento da margem [financeira bruta] no trimestre foi calcado principalmente em negócios com clientes, com destaque para as receitas com operações de crédito, influenciadas positivamente pelo desempenho no Crédito do Trabalhador, que contribui para a melhoria de mix e do retorno ajustado ao risco, além da boa gestão da liquidez”.

Impacto das novas regras do CMN

A forte queda no lucro tem relação direta com a entrada em vigor, em janeiro, de uma resolução do CMN que alterou o reconhecimento contábil das instituições financeiras. Embora aprovada em 2021, a norma só passou a valer este ano e mudou completamente o modelo de provisões, que agora seguem o critério de perda esperada — cálculo baseado em estimativas de risco.

A principal consequência foi o reenquadramento das chamadas operações de “estágio 3” (atrasos acima de 90 dias), cujas receitas de juros só podem ser computadas pelo regime de caixa. Na prática, isso fez com que o banco deixasse de registrar cerca de R$ 1 bilhão em receitas que antes entravam no balanço mesmo sem pagamento efetivo.

Inadimplência avança com foco no agro e nos cartões

A taxa de inadimplência acima de 90 dias continuou a subir e chegou a 4,93% no terceiro trimestre. No mesmo período de 2024, o índice estava em 4,21%, e há um ano marcava 3,33%. O aumento é influenciado principalmente pela deterioração no agronegócio — área em que o Banco do Brasil é líder histórico — e pela expansão das dívidas em cartão de crédito.

Revisão das projeções para 2025

Diante do cenário desafiador, o BB revisou seus números para 2025. As novas projeções são:

– Lucro líquido ajustado: R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões (antes: R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões)
– Custo do crédito: R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões (antes: R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões)

Crédito desacelera com juros altos

O banco também reduziu o ritmo de concessão de crédito no trimestre. A carteira ampliada encerrou setembro em R$ 1,279 trilhão, queda de 1,2% em relação ao trimestre anterior, mas alta de 7,5% no acumulado de 12 meses.

Entre os segmentos, os resultados foram:

Pessoa Física
– R$ 350,51 bilhões
– alta de 2,3% no trimestre e de 7,5% em 12 meses
– destaque para o consignado CLT, que já alcançou R$ 9,2 bilhões

Pessoa Jurídica
– R$ 452,97 bilhões
– queda de 3,2% no trimestre
– alta de 10,4% em 12 meses
– grandes empresas: R$ 258,9 bilhões (−4,6% no trimestre)
– micro, pequenas e médias empresas: R$ 118,5 bilhões (−2,7%)

Agronegócio
– R$ 398,79 bilhões
– queda de 1,5% no trimestre
– alta de 3,2% em 12 meses
– desembolsos do Plano Safra 2024/25: R$ 225,8 bilhões
– meta para Plano Safra 2025/2026: R$ 230 bilhões

Carteira de Crédito Sustentável
– R$ 399 bilhões
– alta de 8% em 12 meses
– representa 32,9% do crédito total

Receitas e despesas de serviços

As receitas de prestação de serviços somaram R$ 8,863 bilhões no trimestre — avanço de 1,3% em relação ao período anterior, mas queda de 2,6% frente a setembro de 2024. Entre os destaques positivos estão:

– administração de fundos (+7,1%)
– seguros, previdência e capitalização (+5,8%)
– consórcios (+6,3%)

As despesas administrativas chegaram a R$ 9,812 bilhões, alta de 1,4% em relação ao primeiro trimestre e de 4,7% ante setembro de 2024. O BB atribuiu a elevação ao reajuste salarial de 4,6% aplicado em setembro de 2024 e aos investimentos em tecnologia, inteligência artificial e cibersegurança.

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Em julho, o banco reduziu de 40% para 30% o percentual do lucro distribuído aos acionistas. No mesmo mês, o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas revisou a projeção de dividendos das estatais para 2025: de R$ 43,4 bilhões para R$ 41,9 bilhões.

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