Líder do PT na Câmara diz que tarifas de Trump são ataque à democracia

Líder do PT na Câmara diz que tarifas de Trump são ataque à democracia
“Temos um ataque econômico, mas também um ataque às instituições, à democracia, ao Supremo Tribunal Federal/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Publicado em 10/07/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

A taxação de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (9) pelo presidente americano Donald Trump, provocou forte reação entre parlamentares da base do governo e da oposição de esquerda no Congresso Nacional. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou a medida como um ataque direto à economia, às instituições e à soberania do Brasil.

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“Temos um ataque econômico, mas também um ataque às instituições, à democracia, ao Supremo Tribunal Federal. Por isso, temos certeza de que o governo vai tomar uma medida contra esse posicionamento. É mais do que economia, é a defesa das instituições, da soberania nacional”, declarou Lindbergh.

A carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que formaliza a imposição da tarifa, cita diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. O documento menciona ainda decisões da Corte brasileira contra apoiadores do ex-presidente que vivem nos Estados Unidos, como justificativa para a medida comercial.

Lindbergh Farias afirmou que está em diálogo com o Itamaraty e com o governo federal para discutir uma reação institucional e legislativa à ofensiva norte-americana. “Vamos estar em diálogo com o Itamaraty, com o governo e, com certeza, vai ter uma posição do governo brasileiro e uma posição nossa no campo legislativo”, acrescentou.

A deputada Duda Salabert (PDT-MG) também criticou duramente a postura de políticos de direita que, segundo ela, apoiam a decisão de Trump. “Agora é o momento para saber quem é patriota e quem não é. É o momento de saber quem é lambe-botas dos Estados Unidos ou quem defende o povo brasileiro”, afirmou.

Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu a adoção de medidas de reciprocidade por parte do governo brasileiro, como a imposição de tarifas equivalentes. “O governo tem autonomia para utilizar medidas de reciprocidade para responder. O governo é altivo e vai responder. Também não acredito que o Supremo Tribunal Federal vá recuar”, declarou.

Ela ainda apontou para a responsabilidade política de parlamentares da direita, mencionando o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Temos que apontar a responsabilidade política desse campo que tem um correspondente nos Estados Unidos, que é o Eduardo Bolsonaro, que está trabalhando contra o povo brasileiro.”

O deputado Pompeo de Matos (PDT-RS) anunciou que apresentará na Câmara uma moção de repúdio à decisão do governo Trump. “É uma coisa absurda. Estão nos tratando como se fôssemos sabujos dos americanos. Esse parlamento de maneira altiva tem que dizer não à essa taxação. Temos que levantar a nossa voz e dizer não ao Trump”, afirmou.

Enquanto isso, segue em andamento no Supremo Tribunal Federal o processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. Em despacho publicado no dia 27 de junho, o ministro Alexandre de Moraes deu início ao prazo das alegações finais. O Ministério Público tem 15 dias para apresentar sua manifestação, seguido pelo tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso, e pelas defesas dos outros sete réus, incluindo o próprio Bolsonaro.

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Os oito réus foram denunciados pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e deterioração de patrimônio tombado. Se condenados por todos os crimes, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.

SÃO PAULO WEATHER