Leilão de energia contrata 19 GW e movimenta R$ 515,7 bilhões

Leilão de energia contrata 19 GW e movimenta R$ 515,7 bilhões
Leilão de reserva de capacidade de 2026 fecha maior disputa do setor e reforça potência do sistema/Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 19/03/2026 às 8:30

Da redação de LexLegal

O primeiro leilão de reserva de capacidade de 2026 terminou com a contratação de 18,997 gigawatts de potência, receita total de R$ 515,7 bilhões e previsão de R$ 64,5 bilhões em investimentos. Ao todo, 100 usinas venceram o certame, que virou o maior leilão de geração de energia já realizado no país. 

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O LRCAP é o leilão usado para contratar potência, e não apenas energia efetivamente gerada. Em termos práticos, o governo paga para que usinas estejam disponíveis em momentos críticos, como picos de consumo no início da noite ou períodos de baixa hidrologia, quando os reservatórios das hidrelétricas perdem força. A lógica é reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional e reduzir o risco de medidas emergenciais mais caras. 

O resultado saiu em um momento de pressão internacional sobre combustíveis e energia. A guerra no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Ormuz mantiveram o petróleo acima de US$ 100 por barril nos últimos dias, o que elevou a sensibilidade do mercado brasileiro em torno do custo da geração térmica. 

Pelos números divulgados após o leilão, foram contratadas 60 térmicas novas, com 8,86 GW de disponibilidade, 35 térmicas existentes, com 7,61 GW, e cinco ampliações de hidrelétricas, que acrescentam 2,5 GW ao sistema. A CCEE informou ainda que o certame terminou com deságio de 5,52%, nome dado ao desconto em relação ao preço máximo previsto no edital, o que gerou economia estimada em R$ 33,64 bilhões ao longo dos contratos. 

O leilão desta quarta foi voltado a hidrelétricas e termelétricas a gás natural e carvão mineral. As térmicas entram em cena quando a geração hidrelétrica não consegue atender sozinha a demanda. Por isso, o setor trata esse tipo de contratação como uma espécie de seguro do sistema elétrico, embora com custo mais alto e maior peso ambiental quando envolve fontes fósseis. 

Os contratos também variam de acordo com a fonte. No caso das térmicas, o fornecimento será de dez anos. Nas hidrelétricas, o prazo chega a 15 anos. O preço é negociado em MW por ano, uma referência para remunerar a usina pela disponibilidade de potência ao longo do período, e não só pela energia entregue no dia a dia. 

Na prática, o leilão percorreu sete rodadas com produtos para entrada entre 2026 e 2031. Houve contratação para diferentes janelas de entrega de térmicas, com valores que foram de R$ 2,205 milhões por MW/ano no produto de 2026 até R$ 2,428 milhões por MW/ano no produto de 2031. No caso hidrelétrico de 2031, o preço ficou em R$ 1,4 milhão por MW/ano, sem deságio. 

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tratou o resultado como divisor de águas para o setor. “Hoje é um dia histórico para o setor elétrico brasileiro e para os próximos 10 anos da segurança energética do Brasil. Nós fizemos o maior leilão de térmicas da história desse país”, disse. 

Na mesma linha, o ministro defendeu que a contratação antecipada tende a sair mais barata do que medidas emergenciais tomadas em momentos de aperto. “Quando a gente contrata uma térmica, nós estamos falando, além de segurança energética, de menor tarifa para o consumidor. Uma coisa é contratar uma térmica, que já tem um custo fixo, e é disputada em um leilão público. A outra coisa é ser contratado de forma emergencial, pagando muito mais caro”, explicou o ministro. 

O certame desta quarta também recoloca em pauta uma discussão antiga do setor: quanto custa garantir confiabilidade ao sistema e quem paga essa conta. A CCEE defendeu que a contratação amplia a estabilidade do sistema, especialmente em períodos de baixa hidrologia, e ajuda a dividir os custos de potência entre mercado livre e mercado regulado. 

O primeiro leilão desse tipo havia sido realizado em 2021, quando 4,6 GW de disponibilidade foram negociados. O salto agora mostra a mudança de escala da preocupação com segurança de suprimento num sistema que vem incorporando mais fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, que precisam de respaldo para os momentos em que não geram com regularidade. 

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A agenda continua nesta sexta-feira (20), quando o terceiro LRCAP de 2026 será voltado a termelétricas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. O próximo leilão deve manter o debate aceso sobre custo, segurança energética e o limite do uso de fontes fósseis na expansão do sistema elétrico brasileiro. 

SÃO PAULO WEATHER