Justiça suspende punições do MEC e obriga governo e faculdades de medicina a negociar

Da redação de LexLegal
A disputa judicial em torno do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 24. A Justiça Federal do Distrito Federal determinou que o Ministério da Educação (MEC) e as mantenedoras de ensino superior sentem à mesa para uma audiência de conciliação. O objetivo é evitar decisões conflitantes e buscar um consenso sobre as sanções pesadas aplicadas às faculdades de medicina que obtiveram conceitos 1 e 2 na prova, notas consideradas insuficientes pelo governo.
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As entidades representativas do setor privado, ABMES e Abrafi, acionaram o Judiciário para suspender as punições anunciadas em janeiro. O MEC já havia começado a aplicar medidas como a interdição de novos vestibulares e a exclusão de faculdades de programas federais de financiamento, como Fies e ProUni. Para as associações, o uso do Enamed como régua punitiva imediata fere a segurança jurídica das instituições. A audiência foi marcada para o dia 7 de abril, após o juiz identificar processos simultâneos sobre o mesmo tema.
Na prática, a decisão judicial suspende o “braço de ferro” momentaneamente para privilegiar uma solução dialógica. O Ministério havia dividido as universidades punidas em quatro grupos, variando a gravidade da sanção conforme o desempenho. Em nota, a ABMES comemorou a abertura do diálogo institucional, afirmando que a medida preserva a finalidade dos instrumentos de avaliação sem atropelar o funcionamento das faculdades. O MEC, por sua vez, defende que o rigor é necessário para garantir a qualidade da formação dos futuros médicos no país.
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O Enamed tornou-se o principal termômetro de qualidade dos cursos de medicina, substituindo critérios anteriores de avaliação. Faculdades que não atingem a média mínima enfrentam desde a redução de vagas até o fechamento de turmas. Com a audiência de conciliação, o governo pode ser forçado a flexibilizar os prazos para adequação das instituições antes de aplicar as canetadas que impedem o ingresso de novos alunos. O setor privado argumenta que o exame ainda precisa de ajustes metodológicos para servir como base de punições tão severas.