Justiça reduz penas dos condenados pela tragédia da Boate Kiss, mas mantém prisão

Justiça reduz penas dos condenados pela tragédia da Boate Kiss, mas mantém prisão
Tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), que deixou 242 mortos em 2013, teve penas dos condenados reduzidas pelo TJRS, mas todos continuarão presos/Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo
Publicado em 26/08/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) decidiu nesta terça-feira (26) reduzir as penas dos quatro homens condenados pela tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), que em janeiro de 2013 resultou em 242 mortos e mais de 600 feridos. Apesar da diminuição das condenações, todos os envolvidos continuarão presos.

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Como ficaram as penas

Com a decisão, os ex-sócios da casa noturna, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, tiveram suas penas reduzidas para 12 anos de prisão. Já o vocalista da banda Gurizada FandangueiraMarcelo de Jesus dos Santos, e o produtor musical Luciano Bonilha Leão, passaram a cumprir 11 anos de pena cada um.

Antes da readequação, os réus enfrentavam condenações bem mais altas. Em 2021, o júri do caso havia fixado 22 anos e seis meses de prisão para Elissandro19 anos e seis meses para Mauro e 18 anos para Marcelo e Luciano.

O incêndio da Boate Kiss é considerado uma das maiores tragédias em espaços de entretenimento do mundo. O fogo começou após o uso de fogos de artifício em um show da banda Gurizada Fandangueira, que atingiram a espuma instalada no teto da casa noturna, provocando fumaça tóxica que rapidamente se espalhou pelo local.

Grande parte das vítimas era composta por jovens universitários. O episódio gerou comoção nacional e internacional e levantou debates sobre a fiscalização de estabelecimentos, a segurança contra incêndios e a responsabilidade de empresários e músicos em tragédias dessa natureza.

Debate jurídico e responsabilização

Desde o início, o processo judicial foi marcado por idas e vindas. Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ)anulou o primeiro julgamento, apontando falhas na condução do júri. O caso retornou ao TJRS, que retomou a análise em 2024, reacendendo o debate sobre a proporcionalidade das penas.

O julgamento desta semana teve como ponto central a dosimetria da pena, ou seja, a forma como a Justiça calcula o tempo de prisão de acordo com a responsabilidade de cada réu. Para parte da sociedade e de associações de familiares das vítimas, a redução é vista como um retrocesso no processo de responsabilização. Para outros juristas, reflete a tentativa do tribunal de ajustar a punição à realidade processual, sem anular a culpa dos envolvidos.

Dor e memória das famílias

Ao longo dos anos, associações de familiares das vítimas têm lutado para que a tragédia não caia no esquecimento e que os responsáveis sejam punidos de forma exemplar. A redução das penas, embora mantendo os réus presos, reacende sentimentos de indignação e frustração entre os familiares, que consideram a luta por justiça ainda inacabada.

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A decisão também reforça a necessidade de reflexão sobre o papel do Poder Judiciário em equilibrar a punição exemplar e o respeito às garantias processuais dos réus. A tragédia da Boate Kiss segue sendo um marco no debate sobre responsabilidade criminal em desastres coletivos e sobre como evitar que tragédias semelhantes se repitam.

SÃO PAULO WEATHER