Justiça inteligente: Como a IA está (finalmente) transformando o Judiciário?

Justiça inteligente: Como a IA está (finalmente) transformando o Judiciário?
Entre os principais pontos da regulamentação, está a necessidade de supervisão humana nas decisões automatizadas/Freepik
Publicado em 20/02/2025 às 5:40

Priscila Spadinger*

Ontem fui bombardeada de informações acerca da notícia que considero incrível, referente ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acabar de aprovar regras gerais para o uso da inteligência artificial no Judiciário. Essa decisão traz diretrizes fundamentais para quem trabalha com tecnologia e inovação no Direito, garantindo mais transparência, segurança e controle sobre essas ferramentas.

Construo inovação e tecnologia diariamente aqui na Aleve, através de LegalTechs e a IA tem sido a tecnologia mais poderosa no desenvolvimento das ferramentas por aqui.

Entre os principais pontos da regulamentação, estão a necessidade de supervisão humana nas decisões automatizadas, a transparência nos algoritmos usados e a proibição de discriminação algorítmica. Ou seja, o objetivo é permitir que a IA agilize processos sem comprometer princípios jurídicos básicos.

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Para as legaltechs, essa regulamentação representa tanto desafios quanto oportunidades. Empresas que desenvolvem soluções de IA para o setor precisarão se adaptar às novas regras, mas, ao mesmo tempo, terão mais segurança para atuar num ambiente regulado, gerando mais previsibilidade aos seus negócios. Isso pode impulsionar investimentos e incentivar ainda mais a adoção da tecnologia no setor jurídico.

Se aplicada da forma correta, a inteligência artificial pode reduzir a lentidão dos tribunais e tornar a Justiça mais acessível. Mas é essencial que a regulamentação acompanhe a evolução tecnológica para não se tornar um entrave burocrático. Lembrando que, se as normas precisassem existir para depois surgirem as inovações e as tecnologias, ainda estaríamos na idade da pedra, certamente…

Legaltechs que já utilizam IA e podem ser aplicadas ao Judiciário

A integração de soluções tecnológicas ao Judiciário pode representar um avanço significativo na modernização e eficiência dos processos. Algumas legaltechs já desenvolvem ferramentas baseadas em IA que podem contribuir para essa transformação:

CriaAI: Plataforma que utiliza inteligência artificial para automatizar a análise e geração de documentos jurídicos, otimizando o fluxo de trabalho de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, garantindo maior precisão e agilidade na tomada de decisões.

GRTS Digital: Criadora da solução Norma, uma IA voltada para a gestão das relações trabalhistas e sindicais, auxiliando empresas e escritórios jurídicos na análise de convenções coletivas, gestão de acordos e conformidade com normas trabalhistas.

DynaDok: Plataforma que usa inteligência artificial para automatizar e otimizar a gestão de documentos jurídicos, facilitando a organização e análise de contratos e outros arquivos essenciais para advogados e departamentos jurídicos.

Escavador: Plataforma que utiliza inteligência artificial para pesquisas jurídicas em bancos de dados públicos, como tribunais e diários oficiais. Monitorando 569 sistemas de tribunais, já incorporou mais de 320 milhões de processos à sua base de dados.

StartLaw: Legaltech especializada em inteligência jurídica, oferecendo soluções como criação automática de contratos e organização de dados jurídicos na nuvem. Desenvolveu sua própria IA generativa para suporte jurídico eficiente.

Turivius: Plataforma de pesquisa jurisprudencial baseada em IA, que captura milhões de decisões judiciais e identifica padrões nos julgamentos para auxiliar advogados e magistrados.

Sem Processo: Utiliza a IA Spectter, um assistente jurídico capaz de analisar, consultar, resumir e criar documentos jurídicos, promovendo eficiência na prática jurídica.

Consult Expres Serviços: Desenvolveu a ferramenta Jurireal, uma IA para análise de dados jurídicos, permitindo um mapeamento preciso da base processual dos usuários.

Olhando para o futuro, é importante que todos os profissionais do Direito e do setor de tecnologia participem desse debate. A inovação no Judiciário depende de um equilíbrio entre avanço tecnológico e segurança jurídica, e essa nova regulamentação do CNJ é um passo importante nessa direção.

*Priscila Spadinger é CEO da holding Aleve LegalTech Ventures S/Aadvogada especializada em M&A e investidora anjo.

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