Justiça francesa condena Airbus e Air France por queda do voo entre Rio e Paris em 2009

Da Redação de LexLegal
A Justiça francesa condenou nesta quinta-feira (21) a Airbus e a Air France por homicídios culposos pela queda do voo AF447, que saiu do Rio de Janeiro rumo a Paris e caiu no oceano Atlântico em 2009. O acidente matou 228 pessoas e entrou para a história como a maior tragédia aérea da França.
A decisão foi anunciada pelo tribunal de apelação de Paris, quase 17 anos após o desastre. A sentença aponta as duas empresas como “únicas responsáveis” pelo acidente e determina multa máxima de 225 mil euros para cada companhia.
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A Air France informou que vai recorrer à Suprema Corte francesa. “A empresa está ciente de que este recurso prolonga um processo que já era longo, especialmente para as famílias, mas ressalta que a responsabilidade criminal da Air France já havia sido descartada duas vezes”, declarou a companhia.
Em 2023, Airbus e Air France haviam sido absolvidas em primeira instância. Na ocasião, os magistrados reconheceram “imprudências” e “negligências”, mas afirmaram que não havia “nexo causal seguro” entre as falhas apontadas e a queda da aeronave.
O Ministério Público francês mudou de posição no ano passado e pediu a condenação das empresas. Para os promotores, as falhas das duas companhias “contribuíram, de forma certa, para que o acidente aéreo acontecesse”.
As acusações se concentraram em problemas ligados ao treinamento dos pilotos e ao congelamento das sondas Pitot, sensores responsáveis pela medição da velocidade do avião. Investigadores franceses concluíram que os pilotos perderam o controle da aeronave após informações inconsistentes dos equipamentos durante uma área de forte turbulência próxima à Linha do Equador.
Durante o julgamento, Airbus e Air France negaram responsabilidade criminal e atribuíram o acidente às decisões tomadas pelos pilotos em situação de emergência.
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Familiares das vítimas acompanharam a decisão no tribunal em Paris. Apesar de classificarem as multas como simbólicas diante do faturamento das empresas, representantes dos grupos de vítimas afirmaram que a condenação representa um reconhecimento oficial das responsabilidades pela tragédia.
“Esta condenação lançará desonra, um descrédito sobre as duas empresas, e deve soar como uma advertência”, afirmou Rodolphe Juy-Birmann, promotor do caso.
O voo AF447 desapareceu dos radares em 1º de junho de 2009. As caixas-pretas só foram encontradas dois anos depois, a quase 4 mil metros de profundidade no Atlântico.