Justiça do DF manda Meta remover vídeo do PL que associava PT a drogas

Justiça do DF manda Meta remover vídeo do PL que associava PT a drogas
Justiça do DF determinou que a Meta removesse vídeo do PL que associava militantes do PT ao uso de drogas; processo segue para avaliar possível indenização por danos morais/Freepik
Publicado em 20/08/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

A Justiça do Distrito Federal determinou que a Meta, controladora do Instagram e do Facebook, retirasse do ar um vídeo publicado pelo Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, que associava militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) ao uso de drogas.

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A decisão foi assinada pelo juiz Carlos Eduardo Batista dos Santos, da 2ª Vara Cível de Brasília, e publicada na quarta-feira (13). O magistrado fixou prazo de três dias para a remoção do conteúdo, que já não está mais disponível no Instagram.

O caso

O vídeo em questão havia sido divulgado em julho e, segundo o PT, foi produzido por meio de inteligência artificial (IA). Na gravação, apoiadores e filiados do partido eram retratados como “viciados em PT” e “usuários do PT”.

A legenda governista acionou a Justiça alegando que a peça ultrapassava os limites da liberdade de expressão, configurando desinformação e discurso difamatório contra a sua imagem.

A decisão judicial

Ao analisar o pedido, o juiz entendeu que houve abuso da liberdade de expressão por parte do PL. Em sua decisão, fez duras críticas ao conteúdo divulgado:

“Peço vênia para externar o meu lamento como cidadão, ao constatar que um partido político de alta expressão nacional, aclamado por parcela significativa da população brasileira e que possui em suas fileiras um ex-presidente da República, tenha sido capaz de, em 40 segundos de vídeo, produzir algo tão grotesco e despido de qualquer propósito construtivo de cidadania”, afirmou o magistrado.

O processo, no entanto, ainda seguirá em tramitação. A Justiça deverá decidir se o PL será condenado ao pagamento de indenização por danos morais ao PT.

Liberdade de expressão e responsabilidade digital

O caso se insere no crescente debate sobre os limites entre liberdade de expressão e discurso de ódio ou difamação nas redes sociais. Embora a Constituição garanta o direito à manifestação, especialistas destacam que esse direito não é absoluto e pode ser restringido quando ultrapassa a esfera da crítica política legítima, atingindo a honra ou a dignidade de pessoas e instituições.

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Além disso, a utilização de inteligência artificial na produção de conteúdos políticos levanta discussões sobre regulação de deepfakes e desinformação digital, tema que está em debate no Congresso e no Supremo Tribunal Federal.

SÃO PAULO WEATHER