Justiça anula eleição de Douglas Ruas e trava comando da Alerj e do Governo do Rio

Da redação de LexLegal
A desembargadora Suely Lopes Magalhães, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), anulou a eleição que levou o deputado Douglas Ruas (PL) à presidência da Assembleia Legislativa (Alerj). A magistrada entendeu que a votação interna foi precipitada e atropelou ritos eleitorais obrigatórios.
Segundo a decisão, a Casa só poderia escolher um novo chefe após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) refazer a contagem dos votos de 2022, desconsiderando os recebidos pelo ex-presidente Rodrigo Bacellar, que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Leia também: STF unifica regras e impõe trava de R$ 16,2 mil para penduricalhos de juízes
Cronologia lógica e a legitimidade do colégio eleitoral
A retotalização, marcada pelo TRE para a próxima terça-feira (31), é o que define quem são os deputados oficialmente aptos a votar e serem votados. Para Suely Magalhães, a Mesa Diretora da Alerj tentou uma manobra ao admitir a vaga na presidência, mas ignorar a perda do mandato parlamentar de Bacellar.
“A cronologia lógica a ser observada é inequívoca: primeiro retotalizar os votos, para assegurar a legitimidade da composição da Casa Legislativa e, assim, a higidez do colégio eleitoral; e só então deflagrar o processo eleitoral”, afirmou Suely Magalhães (Fonte: Decisão TJRJ).
Crise sucessória: Rio segue sob comando interino do Judiciário
A decisão aprofunda o vácuo de poder no Rio de Janeiro. Sem vice-governador desde a renúncia de Thiago Pampolha em 2025, e com a renúncia e cassação de Cláudio Castro nesta semana, o comando do Palácio Guanabara está interinamente com o presidente do TJRJ, Ricardo Couto de Castro.
A escolha do novo presidente da Alerj é vital porque ele será o responsável por conduzir as eleições indiretas para o governo do estado. O imbróglio jurídico impede que o Legislativo assuma sua função sucessória enquanto a composição oficial da Casa não for ratificada pela Justiça Eleitoral.
Operação PF e o efeito dominó na política fluminense
O colapso da linha sucessória começou em dezembro de 2025, quando Rodrigo Bacellar foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, sob acusação de ligações com o Comando Vermelho. Mesmo solto, o STF o afastou da presidência, culminando na cassação definitiva pelo TSE por abuso de poder político na chapa de Cláudio Castro.
Douglas Ruas deixa o cargo que ocupou por poucas horas, e o deputado Guilherme Delaroli retoma a presidência interina, embora sem direito a assumir o governo do estado por sua condição provisória.
Veja também: Acordo entre EUA e Irã derruba dólar e faz Bolsa saltar para 185 mil pontos
O cenário político do Rio para as eleições de outubro permanece em aberto e sob forte vigilância judicial. A determinação do TSE para eleições indiretas aguarda a estabilização da Alerj, que agora precisa esperar a cerimônia do TRE para tentar, novamente, eleger um líder legítimo.
Até lá, o estado segue governado pelo chefe do Judiciário, um reflexo da crise institucional que atingiu simultaneamente os chefes do Executivo e do Legislativo fluminense em menos de um ano.