Juros do cartão de crédito rotativo disparam e atingem 435,9% ao ano em fevereiro

Da redação de LexLegal
O custo do dinheiro ficou mais caro para o brasileiro em fevereiro. Dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito, publicados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (30), mostram que a taxa média do crédito livre para pessoas físicas subiu para 62% ao ano.
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O grande vilão do mês foi o cartão de crédito rotativo, modalidade acionada quando o cliente não quita o valor total da fatura, que saltou 11,4 pontos percentuais, atingindo a marca de 435,9% ao ano. Mesmo com o teto de juros para o rotativo em vigor desde 2024, a variação mensal segue elevada, já que a trava limita o estoque da dívida, mas não a taxa pactuada na contratação.
Selic e o impacto direto no bolso do consumidor
A tendência de alta acompanha a taxa básica de juros, a Selic, mantida em patamares elevados pelo Banco Central para conter a inflação. Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic funciona como o balizador de todo o mercado; quando ela sobe ou permanece alta, os bancos elevam o spread, que é a diferença entre o que o banco paga para captar o recurso e o que ele cobra do cliente final para cobrir riscos e lucrar.
Esse cenário esfria o consumo, pois encarece financiamentos e empréstimos. Com as incertezas geopolíticas no Oriente Médio, o BC sinaliza que pode interromper quedas futuras nos juros se a inflação não ceder, o que mantém o crédito restritivo.
Endividamento e inadimplência das famílias em alta
O reflexo dos juros altos aparece na capacidade de pagamento das famílias. A inadimplência, que mede atrasos superiores a 90 dias, subiu para 4,3% no mês. O endividamento médio compromete quase metade da renda anual dos brasileiros (49,7%), sendo que cerca de 30% de tudo o que as famílias ganham mensalmente é destinado apenas para pagar parcelas de dívidas.
No setor empresarial, o movimento foi inverso: houve um recuo leve de 0,1 ponto percentual nas taxas para pessoas jurídicas, com destaque para a queda no capital de giro, linha de crédito usada para manter a operação diária das empresas.
Apesar das taxas proibitivas, o estoque total de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional cresceu 0,4%, somando R$ 7,145 trilhões. O crédito livre, onde as instituições têm total autonomia para definir os juros, continua sendo o motor desse avanço, contrastando com o crédito direcionado, que possui regras do governo para setores como habitação e rural.
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Com o próximo encontro do Copom agendado para abril, o mercado aguarda se haverá fôlego para novas reduções ou se o custo de vida seguirá pressionado pelas taxas de juros que, no caso do cartão parcelado, já superam os 200% ao ano.