Jovens negros avançam na educação, mas seguem excluídos do mercado de trabalho

Jovens negros avançam na educação, mas seguem excluídos do mercado de trabalho
Jovens participam de atividade de formação profissional; estudo aponta desigualdade persistente mesmo com avanço educacional/Agência Brasil
Publicado em 30/11/2025 às 11:11

Da redação de LexLegal

A nova edição da Pesquisa Juventudes Negras e Empregabilidade, apresentada na 4ª Conferência Empresarial ESG Racial em São Paulo, indica que a ampliação do acesso de jovens negros à educação não tem sido acompanhada pela mesma evolução na inclusão profissional. O levantamento foi produzido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial em parceria com a Fundação Itaú.

O estudo utiliza o Índice ESG de Equidade Racial da Juventude Negra (IEERJN), que mede o descompasso entre escolaridade e inserção no trabalho. Em 2023, os resultados mostram um afastamento significativo entre formação acadêmica e oportunidades profissionais. O índice registrou cerca de -0,38 para pós-graduação e -0,29 para ensino superior, indicando maior desigualdade nas faixas de maior qualificação. Já o ensino fundamental completo apresentou -0,01, próximo da equidade, e o fundamental incompleto ficou em aproximadamente +0,15.

“O Brasil está formando uma geração de jovens negros altamente qualificados, mas o mercado ainda não os absorve com equidade. Isso representa não apenas uma injustiça social, mas também uma perda econômica: estamos desperdiçando produtividade e inovação”, afirmou Gilberto Costa, diretor-executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial.

Os dados apontam que a exclusão é mais intensa nas carreiras de maior remuneração — como engenharia, direito e tecnologia — e reforçam padrões de segregação ocupacional que mantêm profissionais negros concentrados em funções de menor hierarquia. Segundo o estudo, mesmo quando há avanços educacionais, o ambiente de trabalho continua impondo barreiras históricas.

“O acesso à educação é fundamental para reduzir desigualdades. Porém, ainda que um profissional negro tenha a mesma formação de um profissional branco, esbarra em barreiras como o racismo no ambiente corporativo. A educação, sozinha, não é suficiente para promover equidade racial. É necessário enfrentar o racismo estrutural”, acrescentou Costa.

A pesquisa também evidencia que jovens negras enfrentam as desigualdades mais profundas. Elas aparecem nas faixas salariais mais baixas, acumulam trabalho doméstico não remunerado e têm maior vulnerabilidade a fatores sociais como gravidez precoce. Em 2023, o IEERJN das mulheres jovens negras ficou em -0,33 na pós-graduação, -0,31 no ensino superior e -0,37 no ensino médio.

Apesar desse cenário, o estudo identifica que, quando conseguem concluir a universidade, jovens negras apresentam resultados relativamente melhores que nos outros níveis de escolaridade, com trajetória mais consistente de ascensão. Ainda assim, o mercado continua impondo obstáculos.

“Historicamente, as mulheres negras recorrem ao empreendedorismo como forma de sustentar as suas famílias, diante das dificuldades encontradas no mercado formal. Mesmo quando elas conseguem concluir o ensino superior e conquistar maior mobilidade social, não necessariamente estão em uma situação favorável. Muitas vezes, ainda precisam lidar com salários menores e dificuldade de acesso a cargos de liderança”, destacou Costa.

SÃO PAULO WEATHER