Itamaraty confirma libertação dos 13 brasileiros detidos em Israel

Da redação de LexLegal
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou nesta terça-feira (7), em Brasília, que os 13 brasileiros integrantes da Flotilha Global Sumud, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), foram libertados pelas autoridades israelenses e já se encontram a caminho de Amã, capital da Jordânia. A liberação ocorre exatamente dois anos após o início da escalada de violência na guerra em Gaza, o que dá à data forte simbolismo diplomático e humanitário.
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Libertação e transporte para a Jordânia
Em nota oficial, o Itamaraty informou que diplomatas das embaixadas brasileiras em Tel Aviv e Amãacompanharam a operação de soltura.
“Diplomatas das embaixadas em Tel Aviv e em Amã receberam os ativistas que estão, nesse momento, sendo transportados para a capital jordaniana em veículo providenciado pela embaixada brasileira naquele país”, afirmou o MRE.
De acordo com o comunicado, a transferência foi feita pela fronteira da Ponte Allenby/Rei Hussein, que liga Israel à Jordânia, sem comunicação com familiares ou com representantes internacionais durante o trajeto. A assistência consular brasileira só pôde ser prestada após a chegada dos ativistas ao território jordaniano.
Os brasileiros faziam parte da Flotilha Global Sumud, um grupo internacional de ativistas que tentava romper o bloqueio à Faixa de Gaza transportando ajuda humanitária em 50 embarcações. A iniciativa tinha o objetivo de levar mantimentos, suprimentos médicos e equipamentos de socorro à população palestina.
No início de outubro, a frota foi interceptada pela Marinha israelense em águas internacionais, uma ação que o governo brasileiro classificou como “ilegal e arbitrária”. O MRE chegou a notificar formalmente o governo de Israel, tanto pela Embaixada do Brasil em Tel Aviv quanto pela Embaixada de Israel em Brasília, pedindo informações sobre a integridade física e o paradeiro dos cidadãos brasileiros.
Os ativistas foram levados para a prisão de Kesdiot, no deserto de Negev, uma instalação de segurança máxima localizada entre Gaza e o Egito. De acordo com o Movimento Global à Gaza, a notificação da libertação foi repassada ao Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes em Israel (Adalah) na noite de segunda-feira (6).
Assistência diplomática e repatriação
Segundo fontes diplomáticas, a prioridade do Itamaraty agora é garantir o retorno seguro dos brasileiros ao país, após o período de descanso e avaliação médica em Amã. A equipe da embaixada brasileira na Jordânia segue acompanhando de perto os ativistas, prestando suporte logístico, psicológico e consular.
A Flotilha Global Sumud reúne ativistas de mais de 20 países, e a libertação dos brasileiros ocorre em meio a negociações diplomáticas intensas envolvendo diferentes governos e organizações de direitos humanos.
O episódio reacende o debate sobre o direito internacional humanitário e o uso da força em águas internacionais, temas que vêm sendo analisados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Conselho de Direitos Humanosdesde o agravamento do conflito em Gaza.
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Reação no Brasil
Parlamentares e entidades civis brasileiras comemoraram a notícia. Em nota publicada nas redes sociais, a bancada do PT agradeceu o trabalho do Itamaraty e cobrou “respeito ao direito de ajuda humanitária”. A Comissão de Relações Exteriores da Câmara também divulgou mensagem afirmando que acompanha o caso “com atenção e solidariedade aos ativistas brasileiros e às vítimas do conflito em Gaza”.
A deputada Luizianne Lins, que fazia parte da missão humanitária, deve se pronunciar publicamente após chegar à Jordânia.