Irã concentra petróleo, protestos e tensão histórica com os Estados Unidos

Da redação de LexLegal
O Irã ocupa posição central na geopolítica do petróleo e, ao mesmo tempo, enfrenta uma combinação de crise econômica, instabilidade social e pressão externa. Localizado no Golfo Pérsico, o país detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo, atrás apenas de Venezuela e Arábia Saudita, e exerce influência direta sobre o equilíbrio energético global.
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Apesar da relevância estratégica, a economia iraniana vive dificuldades persistentes. Sanções internacionais, inflação elevada e desemprego têm levado parcelas da população às ruas, em protestos recorrentes contra o custo de vida e a limitação de direitos civis e políticos.
As atuais manifestações retomam reivindicações que já apareceram em ciclos anteriores. Em dezembro de 2017, atos inicialmente pacíficos começaram em Mashhad, a segunda maior cidade do país, e se espalharam rapidamente, denunciando restrições políticas e problemas econômicos. Desde então, episódios de repressão e bloqueio de internet se repetem.
No campo das liberdades civis, o Irã figura entre os países com piores indicadores de liberdade de imprensa. No ranking de 2025 da organização Repórteres sem Fronteiras, o país aparece entre as cinco piores posições do mundo, refletindo censura, perseguição a jornalistas e controle estatal da informação.
Mesmo com restrições internas, a mídia internacional tem registrado novos focos de mobilização, especialmente em universidades. Confrontos entre forças de segurança e manifestantes voltaram a ocorrer neste início de ano, em meio a ações mais duras do governo para conter a dissidência.
É nesse cenário que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sustenta a ofensiva militar contra o Irã, agora em coordenação com Israel. O discurso oficial aponta o programa nuclear iraniano como ameaça global, embora a rivalidade entre Washington e Teerã remonte à década de 1950 e tenha se aprofundado após a Revolução Islâmica de 1979.
Críticos da política americana, no entanto, questionam essa justificativa. Para analistas, o peso das reservas energéticas iranianas ajuda a explicar a pressão externa. Em 2025, o país concentrava cerca de 209 bilhões de barris de petróleo, volume muito superior aos aproximadamente 74 bilhões registrados pelos Estados Unidos.
A leitura de que interesses energéticos estão no centro da estratégia ganhou força após ações recentes da Casa Branca na América Latina. No início do ano, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi sequestrado sob acusações de narcotráfico, e Washington passou a ameaçar sanções adicionais a países que comercializem petróleo com Cuba.
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Apesar da tensão com os Estados Unidos, o Irã mantém relações comerciais relevantes com outros países, incluindo o Brasil. Em 2025, o comércio bilateral se aproximou de US$ 3 bilhões. O Brasil exporta principalmente commodities agrícolas, como milho e soja, enquanto importa do Irã sobretudo fertilizantes e adubos, insumos estratégicos para o agronegócio.
A combinação de reservas energéticas, instabilidade interna e disputas geopolíticas mantém o Irã no centro das atenções internacionais. O desfecho da atual escalada dependerá tanto da dinâmica regional quanto das escolhas políticas das grandes potências nas próximas semanas.