Irã aprova fechamento do Estreito de Ormuz, rota de 30% do petróleo global, após bombardeio dos EUA

Irã aprova fechamento do Estreito de Ormuz, rota de 30% do petróleo global, após bombardeio dos EUA
Imagem de satélite mostra o Estreito de Ormuz, ponto estratégico localizado entre o Irã (norte) e Omã (sul), por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado globalmente. A passagem é considerada uma das mais importantes rotas marítimas do mundo/Nasa/Cia
Publicado em 22/06/2025 às 10:41

Da redação de LexLegal

O Parlamento iraniano aprovou uma proposta para fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 30% do petróleo global, em resposta ao ataque ordenado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra instalações nucleares no país. A medida, no entanto, ainda precisa ser avaliada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para entrar em vigor.

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O estreito, localizado entre Omã e o Irã, é uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo, essencial para o transporte de petróleo dos países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e o próprio Irã. A 5ª Frota da Marinha dos EUA, baseada no Bahrein, mantém vigilância constante na região.

O fechamento da via é interpretado como uma retaliação direta aos ataques recentes conduzidos por forças norte-americanas contra as usinas nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan. Analistas alertam para os possíveis efeitos econômicos dessa escalada: com a tensão crescente, os preços do petróleo dispararam no mercado internacional.

Desde o início das ofensivas, o barril do tipo Brent, referência global, saltou de US$ 69,36 para US$ 78,74 – um aumento de 13,5%. Já o petróleo WTI, padrão nos EUA, avançou de US$ 66,64 para US$ 73,88, alta de 10,9%. Especialistas do JPMorgan indicam que, no pior cenário, a cotação pode atingir até US$ 130 por barril.

Durante os últimos anos, o governo iraniano ameaçou diversas vezes bloquear o estreito, mas nunca levou a medida adiante. Em 2019, por exemplo, a ameaça surgiu após a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã, uma decisão também tomada por Trump. Agora, o contexto de novo confronto reacende esse risco com maior intensidade.

Importância estratégica

O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de apenas 33 km em sua parte mais estreita, com canais navegáveis de 3 km em cada direção. Nele circulam diariamente entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, conforme estimativas recentes da plataforma Vortexa.

Além do petróleo, o gás natural liquefeito (GNL) também depende dessa rota: quase toda a produção do Catar – um dos maiores exportadores mundiais do combustível – atravessa Ormuz.

Embora países como Emirados Árabes e Arábia Saudita busquem alternativas logísticas por meio de oleodutos que contornem o estreito, a capacidade ociosa dessas vias ainda é limitada. Dados da Agência de Informação de Energia dos EUA apontam para cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade adicional nos sistemas existentes – número insuficiente para compensar um bloqueio total.

A tensão na região, somada ao cenário instável entre Israel e Irã, tem levado agências marítimas a emitirem alertas de segurança e recomendar rotas alternativas sempre que possível. A possibilidade de escalada militar envolvendo outros países e o impacto direto sobre a matriz energética global colocam o Estreito de Ormuz novamente no centro da geopolítica internacional.

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SÃO PAULO WEATHER