IPCA fecha 2025 em 4,26% e permanece dentro da meta do governo

IPCA fecha 2025 em 4,26% e permanece dentro da meta do governo
Inflação sobe em dezembro puxada por transportes e passagens aéreas, diz IBGE/Agência Brasil
Publicado em 12/01/2026 às 7:30

Da redação de LexLegal

A inflação oficial do país voltou a acelerar em dezembro e encerrou 2025 dentro do limite estabelecido pelo governo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% no último mês do ano, resultado 0,15 ponto percentual acima da taxa de 0,18% observada em novembro. Com isso, o indicador acumulou variação de 4,26% no ano, permanecendo dentro da meta de até 4,5% no acumulado de 12 meses. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O IPCA é considerado a principal referência para medir a inflação no Brasil porque acompanha a variação de preços de um conjunto amplo de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de até 40 salários mínimos. O índice serve de base para decisões de política monetária, reajustes de contratos, negociações salariais e definição da taxa básica de juros pelo Banco Central.

Em dezembro, segundo o IBGE, praticamente todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram alta, com exceção de Habitação, que recuou 0,33%. A queda nesse grupo foi influenciada principalmente por ajustes pontuais em tarifas e custos relacionados à moradia, o que ajudou a conter uma pressão ainda maior sobre o índice geral.

O maior impacto sobre o resultado mensal veio do grupo Transportes, que teve alta de 0,74% e respondeu sozinho por 0,15 ponto percentual do IPCA de dezembro. Em seguida, apareceu o grupo Saúde e cuidados pessoais, com avanço de 0,52% e impacto de 0,07 ponto percentual. Esses dois segmentos concentraram a maior parte da pressão inflacionária do mês.

O IBGE detalhou que o comportamento dos transportes foi influenciado especialmente pelos serviços de mobilidade urbana e pelo setor aéreo. “No grupo dos Transportes (0,74%), o resultado foi influenciado pelo aumento nos preços do transporte por aplicativo (13,79%) e das passagens aéreas (12,61%), subitem com maior impacto individual no resultado do mês (0,08 p.p.). Os combustíveis, após recuarem 0,32% em novembro, aumentaram 0,45%, com as seguintes variações: etanol (2,83%), gás veicular (0,22%), gasolina (0,18%) e óleo diesel (-0,27%)”, afirma o IBGE.

O peso das passagens aéreas é relevante porque esse item, embora não seja consumido por todas as famílias, tem grande impacto estatístico no índice quando apresenta variações intensas de preço. Já o transporte por aplicativo vem ganhando espaço na composição de gastos urbanos e, por isso, também passou a ter influência mais perceptível sobre a inflação.

Outro destaque do mês foi o grupo Artigos de residência, que subiu 0,64% após ter registrado queda de 1% em novembro. A recuperação reflete o comportamento de produtos duráveis e eletrônicos, que haviam apresentado recuos importantes no mês anterior. “Ainda segundo o instituto, em Artigos de residência, a alta de 0,64% reflete as variações de TV, som e informática (1,97%) e dos Aparelhos eletroeletrônicos (0,81%) que, no mês anterior, haviam caído 2,28% e 2,37%, respectivamente.”

Esse movimento indica que parte da inflação de dezembro foi resultado de ajustes de preços após um período de promoções e liquidações típicas do fim de ano no varejo, especialmente no segmento de eletroeletrônicos.

No acumulado de 2025, o resultado de 4,26% mantém o IPCA dentro do teto da meta de inflação, fixada em 4,5%. Embora acima do centro da meta, que costuma ser de 3%, o índice não ultrapassou o limite de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. Isso reduz a pressão institucional sobre o Banco Central e afasta, ao menos formalmente, a necessidade de explicações públicas por descumprimento do objetivo inflacionário.

Ainda assim, o comportamento de dezembro reforça o cenário de inflação resistente, especialmente em setores ligados a serviços e transportes. Esses segmentos costumam ter maior rigidez de preços e respondem mais lentamente a políticas de juros altos, o que tende a prolongar o processo de desinflação.

Do ponto de vista econômico, a composição da inflação indica que o custo de vida segue pressionado por itens associados à mobilidade, lazer e serviços pessoais, enquanto produtos industriais e bens duráveis continuam sujeitos a oscilações mais intensas, influenciadas por sazonalidade, câmbio e estratégias comerciais.

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Para o início de 2026, o desempenho do IPCA será decisivo para a definição do ritmo de eventuais cortes na taxa básica de juros. Um índice mais comportado nos primeiros meses do ano tende a fortalecer a expectativa de flexibilização monetária, enquanto novas pressões vindas de serviços e combustíveis podem adiar esse movimento.

SÃO PAULO WEATHER