Instituições ligadas ao Banco Master recebem reforço de capital de R$ 840 milhões

Instituições ligadas ao Banco Master recebem reforço de capital de R$ 840 milhões
BC decide juros com guerra no Oriente Médio, inflação no radar e mercado dividido/Agência Brasil
Publicado em 14/10/2025 às 8:30

Da redação de LexLegal

O Banco Central (BC) autorizou um reforço de capital de R$ 840 milhões em duas instituições financeiras controladas pelo grupo Master. A decisão ocorre pouco mais de um mês após o órgão ter vetado a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) — uma operação de R$ 2 bilhões que gerou intensa repercussão no mercado e questionamentos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Leia também: STF marca para novembro o julgamento do núcleo militar da trama golpista

De acordo com o BC, o Banco Master Múltiplo poderá receber um aporte de R$ 420 milhões, enquanto a Will Financeira (Will Bank), braço digital do grupo, está autorizada a receber R$ 419 milhões. Com isso, o capital social do Master passa a R$ 1,586 bilhão, e o da Will Financeira sobe para R$ 789 milhões.

A injeção de recursos ocorre em um contexto de profunda revisão das normas prudenciais do sistema financeiro, conduzida pelo BC e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O objetivo é reduzir riscos sistêmicos e reforçar a solidez das instituições após uma série de episódios de alavancagem elevada e operações com ativos de risco.

A operação vetada pelo BC

Em setembro, o Banco Central rejeitou a proposta do BRB de adquirir o controle do Banco Master, o que envolvia 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais — fatia que resultaria em 58% do capital total da instituição. O MPDFT havia contestado o negócio, alegando falhas no processo de aprovação e solicitando a suspensão da transação, o que acabou sendo acatado judicialmente em caráter liminar antes de ser revertido.

O caso marcou o encerramento de uma das negociações mais controversas do setor bancário em 2025. O Banco Master vinha sendo questionado por sua política de captação agressiva, oferecendo rentabilidades acima da média do mercado, com títulos remunerados em até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Muitos desses papéis eram lastreados em ativos de maior risco, como precatórios.

Essa estratégia levou à abertura de investigações pelo MPDFT e pelo Ministério Público Federal (MPF), além de inspirar novas regras do CMN sobre governança e limites de exposição.

Regras mais rígidas e “risco moral”

Em agosto, o Conselho Monetário Nacional editou normas que alteram a estrutura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), impondo restrições a operações alavancadas e aumentando as contribuições de bancos com maior perfil de risco. As medidas, que entram em vigor em junho de 2026, foram justificadas pelo Banco Central como necessárias para mitigar o chamado “risco moral” — situação em que instituições assumem riscos excessivos contando com a proteção do fundo garantidor.

Apesar das restrições, o grupo Master prosseguiu com seu plano de reforçar o patrimônio. Somados os dois aportes de R$ 1 bilhão realizados ao longo de 2025, o total de capital injetado nas instituições do grupo neste ano chega a R$ 2,84 bilhões.

A Will Financeira, controlada pelo grupo e voltada para o público digital, permanece no radar do mercado como ativo à venda. A decisão do BC é interpretada como uma medida para estabilizar as finanças do conglomerado e preservar sua liquidez, após meses de forte pressão regulatória e especulações sobre sua situação de solvência.

Veja também: Brasil deve bater recorde na produção de carnes em 2026, aponta Conab

Embora a aquisição pelo BRB tenha sido rejeitada, o novo aumento de capital sinaliza que o Banco Central mantém a disposição de permitir que o grupo continue operando, desde que com capital próprio suficiente e submetido a regras prudenciais mais rigorosas.

SÃO PAULO WEATHER