INSS confirma vazamento de dados de 2 milhões de segurados

INSS confirma vazamento de dados de 2 milhões de segurados
Mais de R$ 3,2 bilhões já foram devolvidos a aposentados e pensionistas após fraude revelada pela PF/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Publicado em 22/05/2026 às 17:00

Da Redação de LexLegal

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) confirmou que informações de beneficiários foram expostas após uma brecha na segurança digital. O incidente foi descoberto em abril pela Dataprev, empresa pública responsável pela gestão do banco de dados da Previdência. Estimativas técnicas apontam que o vazamento atingiu cerca de 2 milhões de segurados do órgão federal.

Em nota oficial, o INSS minimizou o alcance imediato e declarou que a maior parte dos registros expostos pertencia a pessoas que já morreram. De acordo com o comunicado, as investigações preliminares indicam que 97% dos CPFs acessados indevidamente eram de indivíduos falecidos, enquanto cerca de 50 mil casos envolviam cidadãos vivos.

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A autarquia assegurou que o acesso a essas informações não facilita a concessão automática de benefícios ou empréstimos consignados. O órgão informou que a aprovação de novos pagamentos exige documentação rigorosa e que o sistema possui travas de segurança robustas para coibir fraudes no funcionalismo.

O episódio repete vulnerabilidades históricas do setor público, que já havia registrado exposição de dados previdenciários e assistenciais em anos anteriores. Para especialistas, a reincidência de vazamentos estruturais fragiliza os mecanismos de controle e eleva os riscos cibernéticos na administração pública.

“Esse incidente reforça um ponto que já deveria estar consolidado no Brasil: dados previdenciários possuem alto valor econômico e elevado potencial de fraude. Quando há exposição de informações vinculadas ao INSS, o risco ultrapassa a privacidade e alcança golpes financeiros, engenharia social e utilização indevida de dados de uma população especialmente vulnerável, como aposentados e pensionistas.”, afirma Larissa Pigão, sócia do Pigão e Fioravante Sociedade de Advogados.

A advogada ressalta que a LGPD exige que incidentes de segurança sejam tratados sob uma lógica de prevenção, governança e resposta rápida. Em casos envolvendo bases massivas de dados públicos, a preocupação jurídica também envolve rastreabilidade, controle de acesso, compartilhamento interno e gestão de terceiros que operam essas informações.

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De acordo com Pigão, o impacto de um vazamento não se limita aos dados efetivamente utilizados em fraude. A simples exposição já representa risco relevante, principalmente diante da assimetria informacional e da dificuldade que muitos titulares possuem para identificar tentativas de golpe ou uso indevido de seus dados.

SÃO PAULO WEATHER