INPC acumula 4,42% e impacta reajustes salariais em 2026

Da Redação de LexLegal
A inflação que serve de referência para reajustes salariais no Brasil avançou 0,65% em maio e chegou a 4,42% no acumulado dos últimos 12 meses. O dado é do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador é acompanhado de perto por trabalhadores, sindicatos, aposentados e empresas porque costuma ser utilizado nas negociações coletivas para atualização de salários e também influencia o reajuste de diversos benefícios pagos pelo governo federal.
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O principal fator de pressão sobre o índice em maio foi o aumento dos alimentos. Segundo o IBGE, os produtos alimentícios registraram alta de 1,33% no mês. Já os itens não alimentícios tiveram avanço de 0,43%.
Embora o resultado mensal tenha sido moderado, o acumulado de 4,42% em 12 meses mostra que o custo de vida das famílias de menor renda continua pressionado. O INPC mede a inflação enfrentada por famílias com rendimento entre um e cinco salários mínimos, público que costuma destinar uma parcela maior da renda para alimentação, transporte e despesas básicas.
Por que o INPC é importante
Diferentemente de outros indicadores econômicos, o INPC possui impacto direto sobre a renda de milhões de brasileiros. O índice é amplamente utilizado em acordos coletivos para definir reajustes salariais de diversas categorias profissionais ao longo do ano.
Além dos salários, o indicador também influencia o cálculo do seguro-desemprego, dos benefícios pagos pelo INSS acima do salário mínimo e de outras correções previstas na legislação.
O salário mínimo, por sua vez, utiliza a variação acumulada do índice até novembro como um dos componentes da fórmula de reajuste anual definida pelo governo federal.
Qual a diferença entre INPC e IPCA
No mesmo dia, o IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. Em maio, o IPCA ficou em 0,58%, acumulando 4,72% em 12 meses.
A principal diferença entre os dois indicadores está no perfil das famílias pesquisadas. Enquanto o INPC acompanha lares com renda de até cinco salários mínimos, o IPCA considera famílias com renda de até 40 salários mínimos.
Essa diferença faz com que determinados produtos tenham pesos distintos nos cálculos. Os alimentos, por exemplo, possuem participação maior no INPC porque representam parcela mais relevante do orçamento das famílias de menor renda.
Por outro lado, despesas mais comuns entre famílias de renda mais elevada, como passagens aéreas, possuem peso maior no IPCA.
Segundo o próprio IBGE, o objetivo do INPC é acompanhar a evolução do custo de vida da população assalariada e preservar o poder de compra dos salários diante da alta dos preços.
Alimentos continuam pressionando orçamento
O comportamento dos alimentos segue como um dos principais desafios para o controle da inflação percebida pelas famílias de menor renda.
Como a alimentação responde por cerca de um quarto da composição do INPC, qualquer aumento nos preços do setor tende a produzir impacto relevante sobre o resultado final do indicador.
Especialistas observam que a persistência de aumentos em itens básicos afeta principalmente trabalhadores que destinam grande parte da renda ao consumo essencial, reduzindo a capacidade de poupança e o orçamento disponível para outras despesas.
O resultado divulgado pelo IBGE reforça a atenção do mercado e dos negociadores trabalhistas sobre os próximos índices, especialmente em um momento de discussões sobre reajustes salariais, poder de compra e custo de vida da população.
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A coleta de preços que compõe o INPC é realizada em dez regiões metropolitanas do país, além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Os dados servem como referência para decisões econômicas que afetam milhões de trabalhadores brasileiros ao longo do ano.