Inflação recua e mercado mantém projeções para PIB, Selic e câmbio em 2025

Da redação de LexLegal
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC), mostra estabilidade nas principais projeções econômicas para 2025. Três dos quatro indicadores monitorados — Produto Interno Bruto (PIB), câmbio e taxa básica de juros (Selic) — mantiveram suas estimativas inalteradas. A única mudança ocorreu na inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que recuou de 4,80% para 4,72%.
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Apesar da queda, a expectativa de inflação segue acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, um limite máximo de 4,5%.
Inflação e impacto dos preços administrados
A projeção de 4,72% indica moderação em relação a 2024, mas ainda reflete pressões de preços administrados, como energia elétrica e combustíveis. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação de setembro registrou alta de 0,48%, puxada pela elevação das tarifas de energia.
Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,17%, apesar da deflação observada em agosto (-0,14%). A tendência de queda dos alimentos, que recuaram 0,35% em setembro, contribuiu para atenuar a pressão inflacionária. Esse movimento vem se repetindo há quatro meses consecutivos, com impacto negativo de -0,08 ponto percentual no índice geral.
A manutenção das expectativas reflete uma leitura cautelosa do mercado financeiro, que vê o processo de desinflação como gradual, condicionado à estabilidade da política monetária e às incertezas externas.
Política monetária: Selic em 15%
A taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, continua sendo o principal instrumento do BC para conter a inflação. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que a taxa deve permanecer nesse patamar por um “período prolongado”, até que os preços se acomodem de forma mais consistente dentro da meta.
As projeções do Focus indicam estabilidade: a Selic deve permanecer em 15% até o fim de 2025, com reduções graduais para 12,25% em 2026 e 10,50% em 2027.
O mecanismo é conhecido: juros altos reduzem o consumo e o crédito, desestimulando a demanda e ajudando a conter o avanço dos preços. Em contrapartida, encarecem o financiamento e podem frear o crescimento econômico. Já juros baixos tendem a estimular investimentos e o consumo, mas aumentam o risco de novas pressões inflacionárias.
De acordo com analistas, a combinação entre inflação ainda elevada, incertezas fiscais e tensão nos mercados internacionais reforça a decisão do BC de adotar cautela antes de reduzir a taxa.
PIB: crescimento moderado e consistente
O mercado financeiro manteve, pela quinta semana seguida, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,16% para 2025. O resultado sinaliza uma economia que avança em ritmo moderado, sustentada pelo setor de serviços e pela retomada gradual do consumo das famílias.
Para 2026, o crescimento estimado é de 1,80%, mesma previsão registrada há quatro semanas. Já para 2027, o Focus revisou levemente para baixo, de 1,90% para 1,83%, refletindo expectativas mais prudentes diante do cenário global.
O desempenho do PIB segue condicionado a fatores como investimentos em infraestrutura, estabilidade política e previsibilidade fiscal — pontos considerados essenciais para manter a confiança do investidor estrangeiro e evitar volatilidades cambiais.
Câmbio: dólar se mantém em patamar estável
A taxa de câmbio prevista para o fim de 2025 também se manteve próxima da estabilidade. O dólar deve encerrar o próximo ano em R$ 5,43, segundo a mediana das projeções do mercado. Há quatro semanas, a estimativa era de R$ 5,50.
Para os anos seguintes, as expectativas seguem em trajetória de leve queda. O Focus projeta a moeda norte-americana em R$ 5,40 para 2026 e R$ 5,51 para 2027.
As previsões refletem um equilíbrio entre fatores domésticos e externos, incluindo a política monetária dos Estados Unidos, o comportamento das commodities e o fluxo de capitais estrangeiros. A recente alta de juros nos EUA e o refluxo de investimentos para economias desenvolvidas seguem como variáveis de risco para o câmbio brasileiro.
Incertezas e desafios
As projeções do Boletim Focus indicam um cenário de estabilidade com viés de cautela. O mercado avalia que o Banco Central deve manter a política monetária restritiva por mais tempo, enquanto o governo tenta conter pressões fiscais e estimular a atividade econômica.
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A persistência da inflação acima da meta, somada às incertezas externas — como o desaquecimento da economia chinesa e o ambiente político norte-americano —, compõe o pano de fundo para um 2025 de transição e vigilância macroeconômica.
Para os economistas, o equilíbrio entre o controle de preços e o crescimento econômico continuará sendo o maior desafio da política monetária brasileira nos próximos meses.