Indústria de transformação sobe 3,8% em março, mas juros altos freiam recuperação

Da Redação de LexLegal
O faturamento da indústria de transformação brasileira registrou alta de 3,8% em março na comparação com fevereiro, sinalizando um fôlego extra para o setor. Apesar do avanço mensal, os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados nesta sexta-feira (8) mostram que a atividade ainda amarga perdas em relação ao ano passado. No primeiro trimestre de 2026, o recuo acumulado é de 4,8% frente ao mesmo período de 2025.
O cenário é reflexo direto da política monetária restritiva. A taxa de juros elevada, que iniciou trajetória de subida no fim de 2024, continua encarecendo o crédito e reduzindo o apetite de consumidores e investidores, o que impacta o volume de encomendas nas fábricas.
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“De lá para cá, a demanda por bens industriais começou a perder força por causa da elevação da taxa de juros, que teve início no fim de 2024 e persistiu em 2025, contribuindo para a queda do faturamento na comparação interanual”, explicou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Produção e ociosidade
As horas trabalhadas nas linhas de produção subiram 1,4% em março, no terceiro mês consecutivo de alta. Entretanto, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou em 77,8%, nível que aponta a existência de máquinas paradas. Segundo Azevedo, o setor produz menos do que sua capacidade total devido à fragilidade da demanda interna.
Corte nas vagas e salários
O mercado de trabalho industrial não acompanhou a melhora do faturamento e registrou queda de 0,3% no emprego em março. Foi a quinta retração em sete meses. A cautela das empresas também atingiu a folha de pagamento: a massa salarial (total de remunerações pagas) caiu 2,4%, enquanto o rendimento médio real recuou 1,8% no mês.
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“Há maquinário e pessoal, mas a indústria vem produzindo menos do que pode por causa de uma demanda mais fraca”, afirmou Azevedo.