Indústria de máquinas soma R$ 200 bi até agosto, mas sente efeito do tarifaço dos EUA

Indústria de máquinas soma R$ 200 bi até agosto, mas sente efeito do tarifaço dos EUA
Indústria de máquinas e equipamentos soma R$ 200,8 bilhões até agosto, mas sente desaceleração e impactos do tarifaço dos EUA/Ricardo Stuckert/PR
Publicado em 02/10/2025 às 15:30

Da redação de LexLegal

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou um faturamento de R$ 200,8 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O valor representa crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do avanço, o resultado confirma uma desaceleração do setor, já que até julho a alta acumulada era de 13,6%.

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Em agosto, o impacto da nova tarifa dos Estados Unidos contra o Brasil já foi sentido de forma mais clara. O faturamento mensal caiu 5,6% na comparação com agosto de 2024, somando R$ 26,5 bilhões. Para a Abimaq, o cenário é reflexo direto do ambiente externo e da política monetária interna.

“Esse desempenho na receita do setor veio em linha com as expectativas. Para os próximos meses a tendência é de manutenção da desaceleração, reflexo da política monetária contracionista e agravada pelo tarifaço sobre os produtos da indústria de máquinas e equipamentos”, destacou a entidade em nota.

Mercado interno e exportações

No mercado interno, as vendas de máquinas e equipamentos alcançaram R$ 153,2 bilhões nos oito primeiros meses do ano, avanço de 12,7% sobre igual período de 2024. Já as exportações chegaram a US$ 8,3 bilhões, praticamente estáveis em relação ao ano anterior, com recuo de 0,1%.

Mesmo com o resultado tímido, houve destaque em alguns segmentos, como máquinas agrícolas e para bens de consumo não duráveis, além de componentes industriais. O maior impulso veio da América do Sul, principalmente Argentina, Chile e Peru.

A Abimaq ressaltou que a Argentina apresentou crescimento expressivo, com aumento de 47,2% nas compras, puxado pelas máquinas agrícolas (+82,8%) e para construção civil (+80,1%).

Mudança nos destinos das exportações

Os Estados Unidos, tradicionalmente um dos principais mercados do setor, representaram 25,9% das exportações de janeiro a agosto, mas com queda de 7,5% nas vendas. O recuo foi puxado pela retração na demanda por máquinas para construção civil, que caiu 14,9%.

Já a Europa e a América do Sul mostraram crescimento relevante: alta de 11,6% e 17,2%, respectivamente. Em 2024, os EUA respondiam por 26,9% das exportações brasileiras do setor, o que reforça a perda de espaço em função do novo pacote tarifário imposto por Washington.

Importações em alta

As importações seguiram em expansão e totalizaram US$ 21,1 bilhões até agosto, alta de 9,1% em relação a 2024. A China se consolidou como principal origem, com 31,8% do total. Em agosto, os chineses responderam por 30,6% das importações do mês, alta de 12,9% frente a julho. No acumulado do ano, as compras vindas do país cresceram 18%.

A indústria de máquinas e equipamentos é considerada estratégica por abastecer setores como agricultura, construção civil, energia e transporte. O desempenho do setor funciona como um termômetro da economia, já que reflete investimentos produtivos e movimenta cadeias como siderurgia e tecnologia industrial.

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O “tarifaço” dos EUA, que elevou as tarifas sobre uma série de produtos brasileiros, deve seguir como obstáculo para as exportações. Segundo analistas, a dependência do mercado norte-americano exige que a indústria brasileira busque alternativas em outros mercados, como América Latina, África e Ásia.


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