Indústria cresce 4,9% em fevereiro, mas faturamento acumula queda em 12 meses

Indústria cresce 4,9% em fevereiro, mas faturamento acumula queda em 12 meses
Faturamento da indústria de transformação esboça reação em fevereiro, mas cenário anual ainda é de retração/CNI/Divulgação
Publicado em 09/04/2026 às 7:00

Da redação de LexLegal

O faturamento real da indústria de transformação registrou alta de 4,9% em fevereiro, segundo os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado sucede o avanço de 1,3% em janeiro, acumulando um ganho de 6,2% desde o fim de 2025.

Leia também: STJ reabre processo criminal contra ex-presidente da Vale por tragédia em Brumadinho

Apesar da sequência positiva no início do ano, o desempenho não indica uma retomada consistente do setor, que continua pressionado pelos juros altos e pela desaceleração da economia. A CNI alerta que os números atuais refletem mais uma recuperação sobre uma base fraca do que um fortalecimento real da atividade fabril brasileira.

Faturamento recua 8,5% no primeiro bimestre de 2026

O otimismo gerado pelo crescimento mensal esbarra nos dados comparativos de longo prazo. Na comparação com o mesmo período de 2025, o cenário é negativo, com o faturamento recuando 8,5% no primeiro bimestre deste ano.

Para o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, a cautela é necessária. “Ainda é cedo para apontar uma reversão do quadro negativo visto desde o segundo semestre do ano passado”, afirma Marcelo Azevedo (CNI). O setor produtivo ainda tenta compensar as perdas acumuladas na segunda metade do ano anterior, sem sinais claros de reversão estrutural.

Horas trabalhadas sobem, mas emprego industrial segue estagnado

A produção deu sinais de reação com o aumento de 0,7% nas horas trabalhadas em fevereiro, o segundo avanço seguido. Contudo, o indicador ainda acumula baixa de 2,7% frente ao primeiro bimestre de 2025. Já o mercado de trabalho industrial não acompanhou o movimento e permaneceu praticamente estável, com leve queda de 0,1% no nível de emprego em fevereiro.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também recuou timidamente, atingindo 77,3%. A massa salarial e o rendimento médio não tiveram variações relevantes no mês, mantendo a renda do trabalhador industrial sem ganhos expressivos no curto prazo.

Os indicadores revelam uma indústria que opera com cautela diante do cenário macroeconômico de juros elevados. Embora o faturamento tenha reagido pontualmente, a capacidade ociosa e a estabilidade do emprego sugerem que os empresários ainda não estão prontos para novos investimentos ou contratações em massa.

Veja também: PM apreende de 48 toneladas de drogas na Maré no RJ

A CNI aponta que o faturamento da indústria reflete mais uma base de comparação enfraquecida do que uma melhora estrutural na atividade industrial. O foco do setor permanece na manutenção de custos e na expectativa de uma política monetária que favoreça o crédito e o consumo nos próximos meses.

SÃO PAULO WEATHER