Indústria cresce 0,6% em 2025 e perde fôlego no fim do ano com juros altos

Indústria cresce 0,6% em 2025 e perde fôlego no fim do ano com juros altos
Empresários veem piora nas condições atuais e temem impacto de juros no consumo/Agência Brasil
Publicado em 03/02/2026 às 15:00

Da redação de LexLegal

A indústria brasileira fechou 2025 com crescimento de 0,6%, pressionada pela manutenção de juros elevados ao longo do ano. O resultado marca o terceiro ano consecutivo de expansão, mas confirma a perda de ritmo da produção na reta final.

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Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, a indústria havia avançado 3,1%. Em 2023, o crescimento foi de 0,1%.

A desaceleração ficou mais evidente na comparação entre os semestres. Até junho, a produção acumulava alta de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, o resultado foi estabilidade, com variação de 0%.

Entre setembro e dezembro, a produção industrial recuou 1,9%. Em dezembro, a queda foi de 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024. Dos últimos quatro meses do ano, três tiveram retração e um registrou estabilidade.

Apesar do crescimento anual, a indústria encerrou 2025 apenas 0,6% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e ainda 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.

No recorte por grandes categorias econômicas, houve avanço em bens de consumo duráveis, com alta de 2,5%, e em bens intermediários, que cresceram 1,5%. Já bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,7%, enquanto bens de capital, como máquinas e equipamentos, caíram 1,5%.

Das 25 atividades pesquisadas, 15 apresentaram crescimento em 2025. O destaque foi a indústria extrativa, com alta de 4,9%, seguida por produtos alimentícios, com avanço de 1,5%. No total, 49,6% dos 789 produtos pesquisados tiveram aumento de produção.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o principal fator para o desempenho mais fraco no fim do ano foi a política monetária restritiva. “Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, afirmou.

De acordo com ele, o custo elevado do crédito levou empresas a adiarem investimentos e afetou o consumo das famílias. “Afeta, por parte das famílias, as decisões em relação ao consumo”, disse, ao destacar a desaceleração dos bens duráveis.

Macedo também apontou a elevação da inadimplência como um fator adicional de pressão. Em dezembro, a produção de veículos automotores caiu 8,7%, a maior influência negativa no mês, refletindo paralisações e férias coletivas nas fábricas.

A trajetória dos juros teve início em setembro de 2024, quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central passou a elevar a Selic diante da alta da inflação. A taxa saiu de 10,5% ao ano e atingiu 15% em junho de 2025, patamar mantido até o fim do ano.

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Com a Selic em nível elevado, o crédito ficou mais caro e a atividade econômica perdeu tração. O efeito esperado é o controle da inflação, mas o custo é uma economia mais lenta. Ainda assim, o mercado de trabalho encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo dados divulgados pelo IBGE.

SÃO PAULO WEATHER