Inadimplência recorde impulsiona compra de ativos de empresas em crise

Inadimplência recorde impulsiona compra de ativos de empresas em crise
Juros elevados e aumento das recuperações judiciais ampliam mercado de bens e créditos vendidos com desconto/Magnific
Publicado em 30/06/2026 às 16:00

Da Redação de LexLegal

O avanço da inadimplência das empresas e o crescimento das recuperações judiciais estão impulsionando um mercado que vem ganhando espaço no Brasil: o de ativos de empresas em crise financeira, como imóveis, créditos, equipamentos, marcas e unidades produtivas vendidos com desconto para gerar caixa e pagar credores.

O cenário é de pressão sobre o setor produtivo. Em março de 2026, o país registrou 8,9 milhões de empresas inadimplentes, um dos maiores níveis da série histórica. Em 2025, foram protocolados 977 pedidos de recuperação judicial, envolvendo 2.466 CNPJs, maior volume desde 2016. Já no primeiro trimestre deste ano, havia 5.931 empresas em recuperação judicial, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025.

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Com a taxa Selic em 14,25% ao ano e expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado pelos próximos anos, analistas projetam que o número de empresas em recuperação judicial poderá alcançar cerca de 7,4 mil até o fim de 2027. A tendência é ampliar a oferta de ativos negociados abaixo do valor de mercado.

Entre os bens colocados à venda estão imóveis, maquinário, estoques, carteiras de recebíveis, marcas, direitos creditórios e unidades produtivas. Também é comum que credores vendam seus créditos com desconto para antecipar o recebimento, enquanto bens arrecadados em falências sejam levados a leilão judicial.

As mudanças na Lei de Recuperação Judicial e Falências contribuíram para fortalecer esse mercado. A legislação passou a oferecer mais segurança jurídica para a venda de ativos, protege compradores de boa-fé e facilita operações destinadas à reorganização financeira das empresas.

“O mercado costuma olhar a falência como ponto final, mas muitas vezes ela é uma reorganização forçada de ativos que ainda têm valor. Pode ser um imóvel, uma operação, uma carteira de créditos, uma marca, um equipamento ou um direito que ficou preso em uma estrutura endividada. O trabalho técnico está em separar o que é problema financeiro do que ainda pode gerar recuperação econômica”, afirma Matheus Matos, especialista em estruturação de operações financeiras complexas e sócio da MA7 Negócios.

Segundo Matos, o valor reduzido desses ativos reflete os riscos do processo judicial, o tempo necessário para recuperação e a complexidade das operações. Por isso, a avaliação jurídica e financeira é decisiva antes da aquisição.

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A expansão desse mercado pode acelerar a recuperação de recursos para empresas e credores, além de recolocar ativos produtivos em circulação. Em vez de permanecerem parados durante anos em disputas judiciais, imóveis, operações e créditos podem voltar à atividade econômica por meio de novos investidores.

SÃO PAULO WEATHER