Imposto de Renda: escolha do modelo pode mudar valor pago

Imposto de Renda: escolha do modelo pode mudar valor pago
A escolha entre os modelos simplificado e completo continuará sendo uma etapa central do processo de declaração do Imposto de Renda/Freepik
Publicado em 17/04/2026 às 10:20

Da redação de LexLegal

A escolha entre o modelo simplificado e o modelo completo do Imposto de Renda segue como uma das decisões mais relevantes para milhões de contribuintes brasileiros. A definição pode alterar diretamente o valor do imposto devido ou o montante da restituição, dependendo do perfil de despesas declaradas.

Na prática, o contribuinte precisa decidir entre duas formas de cálculo previstas pela Receita Federal. O modelo simplificado concede automaticamente um desconto padrão de 20% sobre a renda tributável. Já o modelo completo permite deduzir despesas específicas previstas em lei, como gastos com saúde, educação e dependentes.

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Essa escolha, embora pareça técnica, envolve regras legais claras que definem quais despesas podem ser abatidas e quais ficam fora do cálculo. O erro na escolha do modelo pode resultar em pagamento maior de imposto ou restituição menor do que o contribuinte teria direito.

Diferença entre modelos está nas deduções permitidas

O modelo completo é indicado para contribuintes que possuem volume significativo de despesas dedutíveis. Esse tipo de declaração exige documentação e comprovação detalhada dos gastos informados.

“A declaração completa é ideal para as pessoas que têm muitas despesas dedutíveis na área de saúde, educação, previdência privada e dependentes. Permite que eu detalhe todas as minhas despesas. Na declaração simplificada, aplica o desconto padrão de 20%, sem necessidade de comprovação das minhas despesas. É indicada para pessoas que têm pouca despesa dedutível”, explica o professor de ciências contábeis da Faculdade Anhanguera, Gilder Daniel Torres.

Do ponto de vista legal, as deduções permitidas seguem critérios definidos pela Receita Federal. Isso significa que apenas determinados tipos de despesas podem ser abatidos da base de cálculo do imposto.

Entre os gastos aceitos estão despesas com saúde, educação e dependentes. No entanto, cada categoria possui limites e condições específicas que precisam ser observadas.

O modelo simplificado, por outro lado, elimina a necessidade de detalhamento das despesas. Nesse formato, o contribuinte recebe automaticamente um abatimento fixo de 20%, limitado ao teto definido anualmente pela Receita Federal.

Esse modelo costuma ser mais vantajoso para contribuintes que possuem poucos gastos dedutíveis ou que não mantêm dependentes declarados.

Saúde e educação concentram maior parte das deduções

No modelo completo, despesas com educação representam uma das principais possibilidades de abatimento. No entanto, a legislação estabelece limites claros sobre o que pode ser deduzido.

O abatimento inclui mensalidades escolares, cursos técnicos e graduação. Por outro lado, despesas com material escolar e cursos de idiomas não são aceitas como dedutíveis.

Essa limitação decorre da legislação tributária, que define critérios específicos para enquadramento das despesas educacionais.

No caso das despesas com saúde, o cenário é diferente. Não existe limite máximo para dedução, desde que os gastos estejam devidamente comprovados por recibos ou notas fiscais.

Mesmo assim, há exclusões previstas pela legislação. Procedimentos exclusivamente estéticos, compra de medicamentos em farmácias e despesas com acompanhantes em hospitais não entram no cálculo das deduções.

Essa distinção é importante porque muitos contribuintes acreditam que qualquer gasto relacionado à saúde pode ser abatido, o que não corresponde às regras legais.

A recomendação técnica, segundo especialistas, é avaliar detalhadamente os gastos antes de definir o modelo de declaração.

“Utilizar seus gastos com saúde, educação, colocar seus dependentes na declaração. Gastos com médicos, dentistas, hospitais, plano de saúde, podem ser deduzidos sem limites, desde que comprovados os gastos com dependentes. A educação, desde que respeitado o limite anual. Também é possível utilizar os gastos com seus dependentes”, orienta a professora Ahiram Cardoso.

Simulação no sistema da Receita evita erros comuns

Outro ponto relevante envolve o uso do próprio programa da Receita Federal para comparar os resultados entre os dois modelos.

A ferramenta permite ao contribuinte preencher todas as informações e verificar automaticamente qual opção resulta em menor imposto a pagar ou maior restituição.

Essa funcionalidade foi criada justamente para reduzir erros e evitar escolhas baseadas apenas em estimativas ou percepções pessoais.

“O contribuinte deve informar as deduções que tem, porque o próprio programa da Receita Federal informa quanto você teria que pagar no modelo completo e quanto você teria que pagar no modelo simplificado. E aí, você escolhe: o menor valor a pagar ou o maior valor a restituir.” explica Paulo Pêgas, vice-presidente de controle interno do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRC-RJ).

Do ponto de vista jurídico, essa comparação automática reduz o risco de inconsistências e permite que o contribuinte utilize o modelo mais vantajoso dentro dos parâmetros legais.

Organização documental reduz riscos fiscais

Além da escolha do modelo, a organização dos documentos fiscais continua sendo um fator decisivo para evitar problemas com a Receita Federal.

Recibos médicos, comprovantes escolares e documentos relacionados a dependentes precisam ser guardados por período determinado, pois podem ser exigidos em caso de fiscalização.

O cruzamento eletrônico de dados feito pela Receita Federal também elevou o nível de controle sobre as declarações. Informações fornecidas por planos de saúde, instituições educacionais e empregadores são comparadas automaticamente com os dados informados pelo contribuinte.

Essa verificação reduz a possibilidade de erros e aumenta o risco de autuação em casos de inconsistência.

Outro aspecto relevante envolve o impacto financeiro da escolha correta do modelo. Pequenas diferenças na base de cálculo podem resultar em valores significativos quando somadas ao longo do tempo.

Por isso, especialistas indicam que o contribuinte faça simulações detalhadas antes de concluir o envio da declaração.

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A escolha entre os modelos simplificado e completo continuará sendo uma etapa central do processo de declaração do Imposto de Renda. Com o aumento do cruzamento eletrônico de dados e o crescimento das deduções legais disponíveis, a tendência é que a análise detalhada das despesas se torne cada vez mais determinante para o resultado financeiro final do contribuinte.


SÃO PAULO WEATHER