IGP-M salta para 2,73% em abril com choque do petróleo e guerra no Irã

IGP-M salta para 2,73% em abril com choque do petróleo e guerra no Irã
Influenciado pelo conflito no Estreito de Ormuz, índice que reajusta aluguéis tem maior alta em cinco anos/Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo
Publicado em 29/04/2026 às 17:00

Da redação de LexLegal

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) fechou o mês de abril com alta de 2,73%, impulsionado diretamente pelo agravamento do conflito geopolítico no Oriente Médio. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), interrompe um ciclo de cinco meses de deflação e marca o maior patamar mensal para o indicador desde maio de 2021.

A escalada nos preços reflete o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, após ataques sofridos por Estados Unidos e Israel no final de fevereiro. A região é vital para o fluxo global de energia, respondendo por 20% da produção mundial de óleo e gás. Com a redução da oferta, o petróleo disparou no mercado internacional, impactando a economia brasileira de forma imediata.

Leia também: Jorge Messias defende, em sabatina no Senado, autocontenção do STF e Estado laico

Pressão nos custos de produção

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que compõe 60% do IGP-M, registrou avanço de 3,49% em abril. O economista do Ibre Matheus Dias ressalta que “todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz”. Segundo o especialista, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6% devido ao choque de oferta.

“Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra. Além disso, observam-se repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo”, explica Dias.

Impacto no consumo e logística

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,94%, com os combustíveis liderando as pressões de alta. O diesel saltou 14,93% e a gasolina 6,29% no mês. Dias destaca que os preços ao consumidor “refletem de forma significativa o impacto dos combustíveis”.

“Com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%”, afirma o economista. O aumento do diesel encarece o frete, gerando um efeito cascata que atinge alimentos básicos, como o leite e o tomate, que registraram altas superiores a 9% e 13%, respectivamente.

Veja também: Defensoria Pública da União alerta para golpe do WhatsApp que usa nomes de defensores públicos

Conhecido como a inflação do aluguel por indexar contratos imobiliários, o IGP-M acumula alta de 0,61% em 12 meses. O governo federal tenta mitigar a crise por meio de isenções fiscais e subsídios a importadores, mas a volatilidade das commodities internacionais continua a ditar o ritmo dos preços internos.

SÃO PAULO WEATHER