Idosos no trabalho batem recorde no Brasil e ocupação chega a 24,4%

Idosos no trabalho batem recorde no Brasil e ocupação chega a 24,4%
Pessoas com 60 anos ou mais ampliam participação no mercado de trabalho e atingem recorde histórico de ocupação no Brasil/Reprodução TV Brasil
Publicado em 21/12/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

O Brasil alcançou, em 2024, o maior nível de ocupação de pessoas com 60 anos ou mais desde o início da série histórica, em 2012. Ao todo, cerca de 8,3 milhões de idosos estavam trabalhando no ano passado, o equivalente a 24,4% da população nessa faixa etária, que soma 34,1 milhões de pessoas no país.

Leia também: Anvisa alerta para risco de canetas emagrecedoras falsas no mercado

Os dados constam da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra uma trajetória contínua de crescimento desde 2020, quando 19,8% dos idosos estavam ocupados. Em 2021, o índice passou para 19,9%; em 2022, chegou a 21,3%; em 2023, avançou para 23%; até atingir o patamar atual, considerado recorde.

A analista do IBGE Denise Guichard Freire, responsável pelo capítulo do estudo, aponta que fatores demográficos e institucionais ajudam a explicar o movimento. “Certamente a reforma da previdência é um dos fatores que levam as pessoas a ter que trabalhar mais tempo, a contribuir mais tempo para conseguir se aposentar”, afirma.

Além do aumento da participação no mercado de trabalho, a pesquisa indica que o desemprego entre idosos caiu ao menor nível da série histórica. Em 2024, a taxa de desocupação desse grupo foi de 2,9%, bem abaixo da taxa observada para o conjunto da população, que ficou em 6,6% no mesmo período.

Quando os dados são detalhados por faixa etária, o estudo revela diferenças relevantes. Entre pessoas de 60 a 69 anos, 34,2% estavam ocupadas. Nesse grupo, quase metade dos homens (48%) seguia trabalhando, enquanto entre as mulheres a proporção era de 26,2%. Já entre aqueles com 70 anos ou mais, a taxa de ocupação recua para 16,7%. Nesse segmento, 15,7% dos homens permaneciam no mercado de trabalho, contra 5,8% das mulheres.

Outro aspecto destacado pelo IBGE é a forma de inserção dos idosos na atividade econômica. Mais da metade dos trabalhadores com 60 anos ou mais atuava por conta própria ou como empregador. Em 2024, 43,3% trabalhavam como autônomos e 7,8% como empregadores, somando 51,1%. No conjunto da população ocupada, essas modalidades representam apenas 29,5%.

Em contrapartida, a presença em empregos com carteira assinada é menor entre os idosos. Enquanto 38,9% dos trabalhadores brasileiros tinham vínculo formal no ano passado, entre pessoas com 60 anos ou mais essa proporção era de apenas 17%. O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada, além de trabalhadores por conta própria e empregadores que não contribuem para a Previdência Social.

Apesar da menor formalização, o rendimento médio dos idosos ocupados supera o da população em geral. Em 2024, pessoas com 60 anos ou mais receberam, em média, R$ 3.561 por mês, valor 14,6% superior ao rendimento médio da população com 14 anos ou mais, que ficou em R$ 3.108.

Veja também: STF anula parte de investigação da PF contra governador do Acre

Ainda assim, o estudo aponta desvantagens na proteção social. A taxa de formalização entre idosos foi de 44,3%, enquanto, no total dos trabalhadores, o índice chegou a 59,4%. O dado reforça que uma parcela significativa dessa população permanece no mercado de trabalho em condições mais precárias.

SÃO PAULO WEATHER